Resolução americana para o Iraque tem ‘concessões’ à Rússia

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Publicado sexta-feira, 16 de maio de 2003 as 08:35, por: cdb

Os Estados Unidos divulgaram um novo esboço de resolução ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), propondo o fim das sanções econômicas impostas ao Iraque.

A versão com emendas foi preparada depois da discussão do projeto original por membros do Conselho, que manifestaram diversas preocupações quanto ao conteúdo do documento – que também estabelece diretrizes para a reconstrução do país.

Alguns países criticam o fato de o esboço prever um papel de liderança, no processo de reconstrução, para os Estados Unidos e seus aliados na recente ofensiva contra o Iraque. Eles querem que a ONU tenha mais influência nesse trabalho.

No entanto, segundo o correspondente da BBC na ONU, a resolução modificada mantém, sem alterações, os principais pontos da proposta original.

Ele disse que, entre as novidades da nova resolução, há a que prevê que um coordenador especial, enviado pela ONU para o Iraque, trabalhe “intensamente” com as forças de ocupação do país para ajudar a restaurar as instituições nacionais e locais iraquianas.

De acordo com diplomatas, outra mudança se refere à forma como devem ser gerenciadas as verbas obtidas com a venda do petróleo iraquiano, enquanto o país não tiver um governo próprio.

A resolução diz que, até que o Iraque tenha um governo reconhecido internacionalmente, essas verbas podem ser usadas para o pagamento de dívidas contraídas pelo Iraque antes do início da guerra.

Essa alteração deve satisfazer particularmente à Rússia, que é credora de bilhões de dólares do Iraque.

O vice-ministro do Exterior russo, Georgy Mamedov, disse que a dívida iraquiana foi um dos principais pontos discutidos entre o presidente Vladimir Putin e o secretário de Estado americano, Colin Powell, durante a visita de Powell a Moscou nesta quarta-feira.

Ainda não se sabe ao certo quando a nova resolução será votada no Conselho de Segurança da ONU. Nesta quarta-feira, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Negroponte, disse que espera que isso aconteça já na próxima semana.