Repórter é seqüestrada e espancada no Sul

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Publicado sexta-feira, 6 de setembro de 2002 as 23:30, por: cdb

A repórter Ana Rodrigues, do Jornal de Uruguaiana, do Rio Grande do Sul, foi seqüestrada e espancada por quatro homens ainda não identificados, na última quarta-feira (04/09). Ela foi abordada quando estava a uma quadra da brigada policial, onde faria mais uma de suas matérias. Já em casa, ela não quer falar com a imprensa. A polícia está investigando o caso, com a ajuda da Ordem dos Advogados do Brasil.

Ana ficou durante quatro horas em poder dos seqüestradores. Ela fez exame de corpo delito e, assustada, tenta se proteger na casa de amigos e familiares. A direção do jornal diz que está colaborando com a repórter e oferecendo os recursos necessários para sua segurança.

Segundo a diretora de redação do jornal, Lúcia Vasolo, há dois meses a redação vem sendo ameaçada pelo telefone, mas ninguém levou a sério. “Eles ligam e dizem ‘vocês falam demais e escrevem demais’. Não sabemos sobre o que estão falando”, disse.

O motivo das ameaças está sendo investigado pelo diretor do Centro de Direitos Humanos da OAB de Uruguaiana, Marco Aurélio Rodrigues da Costa. Ele contou a Comunique-se que terminou na manhã desta sexta-feira (06/09) um levantamento das matérias publicadas no diário para tentar descobrir o que está provocando essas ameaças. “A linha do jornal é contrária à administração municipal, mas não acredito que seja esse o problema”, observou.

De acordo com Costa, Ana já brigou com um ex-vereador chamado Roberto Vargas. Ele contou que a repórter passou a escrever sobre o comportamento do político, que, segundo o diretor da OAB, agredia verbalmente o prefeito. “O Roberto escreveu um artigo publicado em outros jornais locais criticando a Ana. Certo dia eles se encontraram no local próximo onde a Ana foi seqüestrada e se engalfinharam”.

Costa diz que ainda precisa investigar mais o caso para descobrir o que realmente provocou o seqüestro, mas ele acha que a história ainda é “nebulosa”. “Alguma coisa não está soando bem aí. Durante o depoimento dela à polícia, foi dito que as pessoas que estavam no carro não usavam vocabulário chulo. Não acredito que o ex-vereador tenha cacife para contratar alguém para bater nela”.

Outra coisa que está provocando dúvidas no diretor da OAB é o fato de que a família está evitando conversar com o órgão e, segundo ele, evitou contato com o próprio jornal onde Ana trabalha. “Não podemos levantar uma bandeira sem saber o que realmente está acontecendo”.

O inspetor Paulo Fonseca está à frente do caso. Ele contou que encontraram um carro que tem características muito semelhantes às descritas pela repórter. “Como ela só foi encapuzada dentro do veículo, ela conseguiu ver um pouco do carro. Vamos trazê-la até a delegacia para fazer o reconhecimento”, explica.

Mas Costa afirma que o carro encontrado pertence a um traficante local e que não poderia ser ele o autor do seqüestro, já que traficantes “usam vocabulário pobre e palavras de baixo calão”.

Uma das outras possibilidades levantadas por Costa é a investigação de Ana sobre o assassinato de um policial.