Rendimentos da poupança poderão superar rentabilidade dos fundos

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Publicado segunda-feira, 22 de dezembro de 2003 as 08:41, por: cdb

A rentabilidade de fundos DI e de renda fixa com taxas altas de administração deve se igualar ou até perder da caderneta de poupança, se confirmada a queda de juros em 2004. Se isso ocorrer, dizem consultores, o governo poderá reduzir o retorno da poupança.

Na comparação com a caderneta, os fundos têm a desvantagem de ter, além das taxas de administração, o desconto mensal de 20% de imposto de renda. Com a expectativa de que a taxa de juros básica, a Selic, estará entre 14% e 15% no fim de 2004, os ganhos nesses fundos tendem a cair.

– A poupança deve render perto dos 7%, e um fundo com alta taxa de administração vai render o mesmo, senão menos – afirma William Eid Junior, da Fundação Getúlio Vargas.

Excluídas a taxa de administração e a cobrança de impostos, sobra pouco ou nenhum ganho em relação à poupança, dependendo de quanto o fundo cobra para gerir o dinheiro. O exemplo é de um fundo DI, que tende a render aproximadamente a média da Selic.

Fundos de renda fixa rendem de meio ponto percentual a um ponto percentual acima de uma carteira do DI. No exemplo, daria de 11,30% a 11,80%, dependendo do prazo de seus títulos. Esses fundos buscam superar o CDI/Selic, normalmente com taxa prefixada. Ganham quando os juros caem.

A partir de taxa de administração de 4% a 4,5%, o fundo começa a perder para a poupança, diz Paulo Caricatti, do Citigroup Asset Management. A poupança não deve voltar a oferecer ganho de 10,40%, como neste ano. Com a queda da Selic, a taxa referencial (TR) que atualiza a caderneta cede, por ter componente de juros. Essa queda na rentabilidade era esperada, segundo gestores. ´Neste ano, os ganhos foram anormais porque as taxas prefixadas caíram”, diz Caricatti.

´As distorções começam a se corrigir. Pela necessidade de financiamento, títulos públicos sempre remuneraram muito bem, mesmo com risco baixo”, diz Eduardo Castro, do ABN Amro Asset Management. ´O retorno real do DI ficou em torno de 12%, 13% anuais nos últimos anos.”

Os fundos não cortariam taxas para competir com a poupança porque elas já caíram, segundo gestores. Para eles, o redutor da poupança é que teria de cair.

– Poupança mais rentável que fundo é uma anomalia que o BC não permitirá. É improvável que o governo prejudique o mutuário – diz Márcia Dessen, consultora

Para ter maior rentabilidade, o cliente terá que correr mais riscos. Se não tolerar perdas, porém, consultores recomendam ficar no DI; se precisar logo do dinheiro, melhor a renda fixa.