Relatório alerta para necessidade de combater desnutrição e pobreza na região

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Publicado segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012 as 15:01, por: cdb

Ao contrário do que se esperava, o número de subnutridos nos países daAmérica Central aumentou. A informação é da Organização das Nações Unidas paraa Alimentação (FAO, por sua sigla em inglês) e do Programa Regional deSegurança Alimentar para a América Central (Presanca II) que,preocupados com a situação alimentar da população da América Central elaboraramo relatório “América Central em Cifras. Dados de Segurança AlimentarNutricional e Agricultura Familiar”.

O documento apresenta dados atualizados sobre os principais indicadoresrelacionados com a segurança alimentar nutricional, agricultura familiar epequenos produtores de grãos básicos da região e tem como objetivo conscientizaras populações sobre o problema alimentar mundial e fortalecer a solidariedadena luta contra a fome, a desnutrição e a pobreza.

De acordo com o relatório, 14,2% da população dos seis país da AméricaCentral (Panamá, Nicarágua, Honduras, Guatemala, El Salvador e Costa Rica) estádesnutrida, o que equivale a quase seis milhões de pessoas. Em quatro destesseis países a subnutrição afeta mais de 10%. Apenas na Costa Rica esta cifrafica abaixo de 5%. Além disso, em cinco países da região 19% das criançassofrem com desnutrição crônica moderada e grave, o que implica no retardo docrescimento.

FAO também revela que 50% dos habitantes da América Central vivem napobreza, cifra que supera a média dos países da América Latina e Caribe, quefica em 33%. O mesmo acontece com os dados de pobreza extrema, já que 26,8 %dos centro-americanos enfrentam esta situação, enquanto na América Latina eCaribe os dados mostram 13,3 % da população na indigência.

Baseado nisto e no fato de que os seis países da América Central estãoentre os 40 mais desiguais do mundo, a Organização das Nações Unidas para aAlimentação alerta para a necessidade de combater a constante alta nos preçosdos alimentos, problema que afeta a população vulnerável à insegurançaalimentar e nutricional. FAO aponta que esta população é, especialmente, rurale se insere na agricultura familiar. Por este motivo a América Central precisaser vista com atenção, já que sua população rural chega 41,41%.

Para ter uma base da situação econômica das famílias rurais, o relatórioapresenta uma comparação entre o valor da cesta básica rural e do saláriomínimo legal agrícola e constata que apenas na Costa Rica o salário permitecomprar a cesta e ainda sobra para cobrir outras despesas. “Os casos maiscríticos são Honduras e Nicarágua, cuja diferença supera os 100 dólares mensaisde déficit, entre o salário mínimo e o custo da cesta básica”, evidencia América Central em Cifras.

Todas as famílias que moram no campo e tem a atividade agrícola comoprincipal ou tem outra atividade laboral, mas se dedicam à produção de grãosbásicos para alimentação familiar ou abastecimento local, estão inseridas na AgriculturaFamiliar. Na América Central, 2.350.000 famílias estão inseridas nestadenominação. Elas são responsáveis por 50% do setor agropecuário centro-americano,mesmo assim, 65,3% dos lares que se dedicam à agricultura familiar estão napobreza.

Os principais atores da agricultura familiar são pequenos produtores eprodutores de grãos básicos que também enfrentam a pobreza (34% dos lares), aextrema pobreza (32%) e a insegurança alimentar e nutricional (6 de cada 10lares).

Informe na íntegra: http://www.pesacentroamerica.org/biblioteca/ca_en_cifras.pdf