Relações comerciais entre Brasil e Argentina alternam momentos de tensão e calmaria

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Publicado terça-feira, 24 de maio de 2011 as 13:25, por: cdb

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Parceiros comerciais tradicionais, o Brasil e a Argentina vivem momentos que se alternam entre fases de tranquilidade e tensão. De acordo com negociadores brasileiros, essas reações são comuns em países que têm fronteira seca, não só como o Brasil e a Argentina, mas também os Estados Unidos e o Canadá, e a Bolívia e o Peru. São constantes os pedidos de intervenção na Organização Mundial do Comércio (OMC) por parte dos governos desses países.

A expectativa dos negociadores é que hoje (24), em Buenos Aires, os secretários executivos do Ministério da Indústria da Argentina, Eduardo Bianchi, e do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) do Brasil, Alessandro Teixeira, fechem um acordo encerrando o impasse sobre a concessão de licenças não automáticas para a venda de automóveis e autopeças.

Eles estão reunidos para tentar solucionar o impasse sobre as barreiras comerciais impostas pela Argentina a produtos brasileiros e as medidas alfandegárias adotadas pelo Brasil em relação à entrada de automóveis argentinos no país.

O processo de negociação ocorre há cerca de 15 dias desde que o governo brasileiro anunciou a suspensão da concessão de licenças não automáticas para automóveis. De acordo com técnicos do MDIC, a decisão foi motiva pela ação dos argentinos, que retiveram vários produtos brasileiros na fronteira desde o começo deste ano.

Somente nos primeiros quatro meses deste ano, o comércio entre a Argentina e o Brasil envolveu cerca de US$ 11,5 bilhões. Em 2010, o comércio bilateral movimentou mais de US$ 32,9 bilhões, com superávit de US$ 4 bilhões para o Brasil.

Atualmente, produtos de 600 setores estão fora da licença automática na Argentina. Empresários de vários segmentos reclamam do atraso na liberação de produtos brasileiros que entram no país vizinho. Além disso, alguns prazos ultrapassam o limite máximo de 60 dias permitido pela OMC.

Além dos secretários executivos, participam da reunião a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, o subsecretário para a América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, Antonio Simões, e o embaixador do Brasil na Argentina, Enio Cordeiro, representando o Brasil. Os representantes argentinos são o diretor da Política Nacional de Comércio Exterior, Makuc Adrian, e o diretor de Assuntos Institucionais do Mercosul, Paulo Grinspun.

Edição: Lana Cristina
 

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