Reintegração de posse segue sem confronto em São Paulo

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Publicado terça-feira, 9 de junho de 2015 as 11:07, por: cdb
A decisão judicial sobre a reintegração saiu há três meses para que as famílias tivessem tempo de desocupar o local
A decisão judicial sobre a reintegração saiu há três meses para que as famílias tivessem tempo de desocupar o local

 

A ação de reintegração de posse da Polícia Militar (PM) em Osasco (SP) segue sem confronto, apesar da pequena resistência de alguns moradores, que ainda provocaram focos de incêndio. No terreno de 200 mil metros quadrados existe a Comunidade Nelson Mandela, onde vivem 10 mil pessoas. Por volta das 10h, caminhões de mudança já conseguiam entrar no local para retirar móveis e pertences das famílias.

De acordo com o capitão da PM Márcio Agamenon Goes de Souza, a operação começou às 6h e está adiantada, pois a previsão era de que os caminhões conseguissem entrar só após o meio-dia. Ele disse que não houve feridos e a saída foi pacífica. “Tivemos pequenos focos de resistência, mas não tão ativa, como quando as pessoas jogam pedras e investem contra a polícia. Os mais inconformados atearam fogo a barracos depois de tirar os pertences, mas isso não trouxe risco”, disse.

A decisão judicial sobre a reintegração saiu há três meses para que as famílias tivessem tempo de desocupar o local. Por isso, grande parte dos moradores deixou seus barracos com antecedência, principalmente na noite de segunda-feira. “Essa noite saiu bastante gente, isso é muito bom. Porque isso faz com que a possibilidade de resistência ativa diminua”, declarou o capitão.

Jacinto de Moura, ajudante-geral, conta que tirou os móveis durante a noite, mas voltou para buscar os últimos pertences, que estavam em várias sacolas. Ele morava há um ano na comunidade, junto com a mulher, e lamenta ter de deixar o barraco. “Vou ter que voltar para o aluguel agora, mas estou desempregado. Arrumei um cômodo para morar, não sei como vou fazer para pagar”, disse ele.

O capitão explicou que os 3 mil barracos não serão demolidos nesta terça-feira. “Essa pressa em querer destruir traz um problema de revolta maior. A pressa em derrubar barraco não é legal para essa quantidade de pessoas. Vamos continuar aqui por três dias, garantindo a segurança dos oficiais de Justiça”, disse.

Os focos de incêndio que ainda existiram no terreno não têm risco de se alastrar, segundo o capitão. Os bombeiros não atuaram contra o fogo devido à topografia, com muitos morros, o que dificulta a chegada dos caminhões. Mas os bombeiros estão prontos para intervir, caso haja descontrole das chamas.

Além dos bombeiros e das equipes da Polícia Militar, um grande contingente da Tropa de Choque, Cavalaria e das Guarda Civis Metropolitanas de Osasco e Barueri acompanharam a ação. A Comunidade Nelson Mandela está localizada entre as cidades de Barueri e Osasco, na grande São Paulo. O terreno onde a comunidade está instalada fica próximo ao Rodoanel Mário Covas, que chegou a ser fechado entre as rodovias Castello Branco e Anhanguera, do quilômetro 16 ao 6. O Rodoanel ficou interditado das 5h30 às 9h.

Segundo a promotora de Justiça Fernanda Queiroz Karan Franco, laudos comprovaram que o terreno tem restrições ambientais, habitacionais e geológicas que impossibilitam a instalação de residências. A área foi ocupada em fevereiro de 2014 e pertence à empresa Dias Martins S.A. Mercantil e Industrial. A reportagem da Agência Brasil entrou em contato com a empresa, que ainda não se pronunciou.