Região Leste de Campinas receberá mais de 11 mil mudas de árvores nativas

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Publicado quarta-feira, 14 de março de 2012 as 07:29, por: cdb

Região Leste de Campinas receberá mais de 11 mil mudas de árvores nativas

14/03/2012 – 09:57

  

Cláudia Xavier

 

A Região Leste da cidade foi a contemplada pelo Banco de Áreas Verdes (BAV) da Prefeitura de Campinas para receber as 11.443 mudas de árvores nativas oriundas dos Termos de Compromisso Ambiental firmados entre o Município e particulares entre dezembro de 2011 e fevereiro de 2012.

 

Do total de mudas, aproximadamente sete mil já foram plantadas em praças públicas localizadas nos bairros Palmeiras, Vila Brandina, Jardim Brandina, Parque da Hípica, Jardim das Andorinhas, Parque Brasília, Jardim Flamboyant, Jardim Boa Esperança e Jardim Conceição.

 

Segundo levantamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a região é considerada rica em nascentes e conta com acentuada degradação ambiental em alguns pontos. Nos nove bairros onde os plantios estão ocorrendo estão inseridas as sub-bacias hidrográficas Mato Dentro e Invernada, que pertencem à bacia do Ribeirão Anhumas.

 

Segundo a secretária municipal de Meio Ambiente, Valéria Murad Birolli, os plantios representam um grande avanço na revegetação dessas áreas principalmente porque adota o conceito de árvores nativas.

 

“Devolver a vegetação nativa não só atrai a fauna característica do local como implanta um trampolim ecológico entre os fragmentos verdes da região”, disse Birolli.

 

Conforto térmico com a redução das ilhas de calor, recuperação da mata ciliar, redução dos assoreamentos, aumento da permeabilidade do solo e redução das enchentes são outros benefícios apontados pela secretária.

 

“As árvores, depois de crescidas, dificultam também a invasão e o assentamento de comunidades em áreas de risco, às margens dos córregos”, acentuou Birolli.

 

Piloto

 

Os plantios na Região Leste são também resultado do projeto piloto da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) de levantamento das áreas de praças públicas aptas a serem inseridas no BAV e, consequentemente, a receber plantios de mudas.

 

Por meio de dados da Secretaria de Planejamento, a equipe da SMMA identificou 60 praças públicas distribuídas em nove bairros na região. Vistorias em campo foram realizadas para diagnosticar a situação de cada uma delas, que foram classificadas em aptas, inaptas ou parcialmente aptas.

 

A assessora técnica Elizandra Regina Benites de Souza, que coordenou o levantamento, explica que 42 praças foram consideradas inaptas por haver algum tipo de ocupação como favela, posto de saúde, escola, campo de futebol ou igreja.

 

Três praças foram consideradas parcialmente aptas por terem parte de suas áreas ocupadas por invasões. “É extremamente importante que essas áreas sejam reflorestadas para que a invasão não avance, principalmente por se tratar de de Área de Preservação Permanente (APP)”, disse Souza.

 

Por fim, 15 praças foram consideradas aptas a receber os plantios por estarem totalmente livres ou por necessitar de adensamento arbóreo .

 

De acordo com a assessora, as praças cadastradas como aptas e parcialmente aptas totalizam 158.758,84 metros quadrados e, as inaptas , 174.745,17 metros quadrados. Do total de 60 praças investigadas, 27 estão em área de APP.

 

O levantamento das áreas públicas aptas a integrar o cadastro do BAV será estendido a todo o município. As próximas áreas a receber o diagnóstico estão sendo estudadas e será dada prioridade às regiões mais carentes do ponto de vista socioambiental.

 

Banco de Áreas Verdes

 

O BAV é o cadastro da Prefeitura onde estão listadas áreas públicas e particulares em condições de receber plantios de mudas de árvores.

 

Os plantios representam a compensação ambiental a que o cidadão é obrigado toda vez que ele suprimir vegetação em área de sua propriedade ou fizer alguma intervenção autorizada em APP.

 

De acordo com a legislação em vigor, para cada árvore suprimida, 25 mudas devem ser plantadas. Entre as espécies a serem cultivadas, 60% devem ser do tipo pioneiras, de crescimento mais rápido, e 40% de não pioneiras, caracterizadas por terem vida mais longa. O projeto tem de atender ainda à exigência de que, no mínimo, 5% das mudas pertençam a espécies em extinção e , 20%, sejam do tipo zoocóricas, ou seja, fazem a dispersão de suas sementes por meio de animais.

 

A legislação municipal prevê também que nos processos de licenciamento ambiental de novos parcelamentos do solo urbano em terrenos ou áreas construídas superiores a 1,5 mil metros quadrados, assim como na implantação de novas edificações habitacionais, industriais, comerciais ou de serviços deverá ser exigida a manutenção das características naturais de permeabilidade do solo em área equivalente a, no mínimo, 20% da área total do imóvel a ser destinada ao BAV.

 

Esta medida não descarta outras obrigações de preservação ambiental pertinentes e visa assegurar a infiltração das águas pluviais, a conservação da biodiversidade, a mitigação da formação de ilhas de calor e da poluição sonora e atmosférica, além da criação de áreas de Lazer, esportes e recreação para a população.

 

No caso de o solo originário já atender o percentual disposto na lei em áreas verdes e no sistema de lazer, o empreendedor fica dispensado da obrigação.

 

Já nos casos em que o parcelamento atenda percentual inferior, o empreendedor fica obrigado a complementar a compensação ambiental em outra área definida pela SMMA.