Reforma ministerial gera conflitos na base do governo

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 20 de novembro de 2003 as 09:02, por: cdb

Pelo que se percebe, a eleição de Lula para a presidência da República foi um marco político bastante restrito no âmbito da classe política brasileira. A exemplo do que acontecia num passado recente, as brigas por espaço e poder, acabam sendo priorizados por partidos e pelos próprios políticos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que a reforma só vai sair depois que as reformas forem votadas no Senado. Antes de 15 de dezembro ele não quer ouvir falar no assunto, mas não é o que pensam os partidários do presidente.

E a briga promete ser mesmo muito feia. O PSB, presidido pelo legendário deputado Miguel Arraes, tem sido o alvo do momento. Com as especulações em torno do nome do líder do partido na Câmara, Eduardo Campos, para ocupar a vaga dos socialistas no governo, peemedebistas pernambucanos trazem à tona os escandâlos dos precatórios.

Eduardo Campos era o Secretário da Fazenda no governo do avô, Miguel Arraes, quando o Senado investigou os casos de Pernambuco, Alagoas e Santa Catarina. Recentemente, o STF inocentou o deputado pernambucano, mas seus adversários não o poupam.

O governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, estaria por trás da publicação de notas na imprensa, sobre o passado de Campos como forma de desgastá-lo junto ao presidente Lula e impedir que ele seja nomeado para o novo ministério.

Por enquanto, os nomes mais fortes para deixarem o governo são do ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, dos Transportes, Aderson Adauto, dos Esportes, Agnelo Queiroz e da Assistência Social, Benedita da Silva.

Lula já avisou que o PT vai ter de ceder para que ele possa acomodar o PMDB. Mas, PTB e PPS, não admitem perder espaço no governo. O PTB já anunciou que o governo teria oferecido mais um cargo ao partido que comanda o Ministério do Turismo.

A tendência é de que estas brigas por espaço e poder que partem internamente dos partidos, engrossem ainda mais nos próximos dias. Além de mostrar ao presidente que são importantes e capazes, os partidos e seus representantes têm a árdua tarefa de neutralizar adversários internos e externos.