Redes sociais podem ser a TV da nova geração, segundo estudo

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Publicado quinta-feira, 4 de junho de 2015 as 10:20, por: cdb

Mais da metade dos jovens norte-americanos se informa sobre política através do Facebook, e noticiários devem ser cada vez mais compatíveis com smartphones.

– Vocês todos falam sobre as tendências da minha geração, mas nenhum de vocês é da minha idade! A frase proferida por um espectador do World News Media Congress foi aclamada pelo público. No encontro anual da imprensa mundial em Washington, cabeças com cabelos brancos e grisalhos dominam as mesas de discussões.

 

Mais da metade dos jovens norte-americanos se informa sobre política através do Facebook
Mais da metade dos jovens norte-americanos se informa sobre política através do Facebook

 

Os diretores das empresas de mídia mais importantes do mundo aproveitaram o evento, cuja edição deste ano terminou na quarta-feira, para apresentar suas novas estratégias. Com isso, eles pretendem alcançar e compreender especialmente a chamada “Geração Y”, à qual pertencem pessoas na faixa dos 19 aos 34 anos, que cresceram com a Internet. Eles são o presente e o futuro do consumo de mídia e notícias.

De acordo com um novo estudo do Centro de Pesquisas PWE, mais da metade dos jovens norte-americanos toma conhecimento de informações de relevância política exclusivamente através do Facebook. Exatamente o mesmo percentual da geração dos baby boomers, nascidos no pós-guerra, entre 1946 e 1964, prefere assistir à televisão.

– É interessante o fato de que mais da metade das informações no feed de notícias da Geração Y envolve aspectos políticos – disse no congresso a diretora da pesquisa jornalística no PWE, Amy Mitchell.

Segundo o chefe de pesquisa do Instituto Reuters, Robert Picard, é um erro pensar que os jovens não têm interesse por política ou notícias. “Muitas vezes, porém, eles não encontram uma abordagem pessoal do assunto, porque a mídia tradicional ainda não entendeu como deve se dirigir a essa geração”, disse.

Isso porque é difícil descobrir exatamente o que, onde e por quanto tempo alguém assiste, lê ou ouve algo. “O consumo de notícias desta geração é cada vez mais personalizado e está em constante mudança. É por isso que não se pode prever tendências absolutas para eles”, afirmou Picard.

Consumo móvel

No entanto, é senso comum que as notícias para cada dispositivo precisam ser produzidas de modo diferente. A versão para smartphones desempenha o papel mais importante, pois as notícias são lidas principalmente quando as pessoas estão a caminho de algum lugar. “Produzimos primeiramente para o consumo móvel, em seguida, para o tablet e o computador e, depois, caso a história ainda seja relevante, ela é impressa”, disse o diretor de marketing do diário norte-americano USA Today, Tom Miller.

Há apenas algumas semanas, vários veículos, entre eles os portais de notícias alemães Bild.de e Spiegel Online, anunciaram que publicarão notícias completas diretamente no aplicativo do Facebook. Isso significa que, no futuro, notícias e reportagens multimídia aparecerão diretamente no feed de notícias do Facebook, sem que o usuário tenha que abrir um link para o respectivo site. Em troca, o Facebook oferece receitas geradas por publicidade e dados de usuários.

Apenas três segundos de atraso

– Desta forma, no futuro, notícias urgentes aparecerão em todas as telas – disse Andy Crosby, vice-presidente do Newzulu, um aplicativo que coloca online conteúdo gerado pelo usuário enquanto ainda está sendo filmado. “Um incidente como o do (ataque ao jornal parisiense) Charlie Hebdo, pode ser transmitido ao vivo do local com este aplicativo”, exemplificou Crosby.

O Newzulu, que está no mercado desde abril, fornece a empresas de mídia e agências de notícias também um software que permite que o material de vídeo dos correspondentes e repórteres possa ser colocado em suas páginas online no calor dos acontecimentos. “Em algum momento, as emissoras de televisão farão o mesmo e não precisarão mais de caminhões de transmissão”, previu Crosby.

No início deste ano, o aplicativo Periscope já ofereceu uma tecnologia semelhante. Em março, ele foi comprado pelo Twitter por US$ 100 milhões. “O Newzulu funciona de forma semelhante ao Periscope, mas filtra conteúdo desagradável ou ofensivo”, disse Crosby.

Isso ocorre durante os três segundos de atraso que existem entre o local de gravação e a transmissão do material na Internet. Com um bilhão de smartphones no mundo e uma rede cada vez mais rápida, este é “o futuro das notícias e do jornalismo moderno”.