Recuperação de renda deve vir em 2004

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Publicado domingo, 4 de janeiro de 2004 as 10:40, por: cdb

Atividade econômica baixa e desemprego elevado formaram uma combinação ruim para as negociações salariais em 2003. Os melhores resultados no final do ano – principalmente entre os metalúrgicos – não deverão ser suficientes para um desempenho positivo no ano. Mas a expectativa para 2004 é de alguma recuperação na renda, principalmente a partir do segundo semestre.

Na primeira metade de 2003, a maioria (54%) das 149 negociações analisadas pelo Dieese ficou – pela primeira vez – abaixo da variação do INPC em 12 meses. Perdeu até para o mesmo período de 1999, o pior desde então, quando segundo o Dieese, 55% das categorias conseguiram reajuste equivalente ou superior à inflação.

Os dados referentes ao segundo semestre ainda não foram fechados pelo Dieese. Levantamento preliminar feito pelo ‘Diário de S.Paulo’ mostra que 14 de 26 categorias (54%) com data-base entre agosto e dezembro fecharam acordos com reajuste igual ou superior à variação do INPC. Essas categorias reúnem por volta de 3 milhões de trabalhadores. Em alguns casos, o acordo abaixo da inflação foi compensado por abono ou prêmios de participação nos lucros ou resultados (PLR).

Os melhores resultados foram obtidos pelos metalúrgicos no setor automobilístico: reajuste de 18,01%, contra inflação acumulada de 15,7%, além de abono. A necessidade das empresas de atender a encomendas do mercado externo favoreceu os sindicalistas. O primeiro acordo saiu na Scania, de São Bernardo, que tem metade da produção voltada às exportações e, por isso, não desejava uma greve prolongada.

O técnico do Dieese José Silvestre Prado de Oliveira acredita que o balanço final de 2003 será semelhante ao do ano anterior, quando pouco mais da metade das categorias conseguiu reajuste igual ou superior ao INPC. Para ele, foi um ano muito ruim, independentemente de ter havido alguma melhora no segundo semestre.

Segundo Oliveira, a melhora na atividade econômica a partir de outubro e as sucessivas quedas na taxa básica de juros favoreceram as negociações no final de ano. Além disso, teve a sinalização de queda da inflação para 2004.

O parcelamento de reajuste foi uma das principais características de 2003. No primeiro semestre, um terço dos acordos incluiu algum tipo de divisão. Por outro lado, houve poucos abonos, tendências que se repetiu nos meses seguintes. Uma exceção está no setor bancário. A categoria teve reajuste abaixo do INPC – 12,6% contra 17,53% -, mas incluiu em seu acordo um abono de R$ 1.500 e PLR equivalente a 80% do salário mais R$ 650 fixos. Estatais como os Correios e a Petrobras negociaram aumento de referências nos planos de cargos e salários internos. Os marceneiros de São Paulo – 15 mil – incluíram no acordo uma cláusula de PLR nas fábricas com até 50 empregados.