Recuperação da indústria depende do rumo dos juros

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Publicado quinta-feira, 13 de março de 2003 as 14:18, por: cdb

A recuperação dos níveis da atividade industrial do País, atualmente em estagnação, ainda vai demorar a acontecer, e dependerá principalmente se o Banco Central vai continuar ou não a aumentar juros. A avaliação é do economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Flávio Castelo Branco. “Juros altos tornam o crédito mais caro, causam retração na demanda e recuo nas encomendas da indústria”, disse.

A CNI apostava em alta de vendas no desempenhos da indústria ainda no primeiro semestre, ma s esta expectativa já está descartada, após os dois aumentos da taxa básica de juros (a Selic) efetuados este ano, de 0,5 ponto percentual, em janeiro e de um ponto percentual em fevereiro – o que elevou a Selic para 26,5%.

“Acredito que não vamos ver esta recuperação tão cedo quanto esperávamos. Ela vai tardar a aparecer e vai depender do timing da política monetária para elevar ou não os juros – o que depende do comportamento da inflação”, disse.

“Mas acredito em recuperação ainda em 2003, porém mais suave do que as retrações e mais para o final do ano – dependendo das decisões do BC”, completou, não descartando ainda pequenas variações negativas nas vendas reais ao longo do ano.

Hoje, a CNI divulgou os indicadores industriais referentes a janeiro, que continuam a mostrar sinais de estabilidade em praticamente todos os indicadores. Segundo ele, o resultado de estagnação já era verificado no desempenho de dezembro. “Mas este resultado de janeiro já mostra mais o impacto da escalada nos juros”, disse.

As vendas reais da indústria apontavam queda de 3,16% em janeiro ante dezembro; porém, no índice dessazonalizado, o percentual de queda é de 0,1%. Ele explicou ainda que a alta de 2,81% nas vendas reais em janeiro em comparação com igual mês do ano pass ado deve-se ao aumento no volume de exportações, no primeiro mês do ano.

“Estamos exportando mais do que em janeiro do ano passado”, disse, lembrando que isso se deve basicamente à desvalorização cambial do real perante ao dólar, no período, o que torna as vendas externas bem lucrativas para o empresário brasileiro.