Recipiente menstrual é nova opção para mulheres

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Publicado quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003 as 21:56, por: cdb

A primeira reação de suas amigas, dizem usuárias, quase sempre é: “Eca!”. Então, lentamente, algumas se interessam. Algumas são até imbuídas com um zelo missionário a espalharem a palavra.

“Eu amo”, disse Rachel Jenkins-Stevens, 25 anos. “Eu comprei um em 1998, e só usei cinco absorventes internos desde então”.

Os recipientes menstruais – cones leves e flexíveis que contêm o fluxo da menstruação – foram patenteados pela primeira vez nos EUA na década de 30, mas nunca se tornaram populares. Eles ainda não são uma moda, mas seu uso está crescendo, especialmente em universidades e através da promoção em sites de saúde alternativos.

Questões de segurança têm sido levantadas, mas até agora, os cones não foram ligados a nenhuma síndrome tóxica ou qualquer outro problema médico.

Duas marcas são vendidas nos EUA: o Keeper, lançado em 1987, que é feito de látex e não é descartável, e o Instead, lançado em 1997, que é feito de polietileno e é descartável.

Algumas mulheres os escolhem porque temem que os absorventes internos aumentem o risco de choques tóxicos ou que as fibras ou substâncias contidas nele sejam prejudiciais à saúde. Outras gostam da economia: os US$ 35 empregados na compra do Keeper valem por uma década, enquanto um estoque de dez anos de absorventes pode custar US$ 650. (O Instead é mais caro: um estoque de dez anos custaria cerca de US$ 400).

Algumas mulheres gostam da praticidade, um fim aos aplicadores e absorventes amassados. Algumas apreciam o fato de poderem usá-los por até 12 horas sem vazamento, mesmo com a prática de exercícios.

Algumas gostam do fato de o Instead poder ser usado durante o sexo.

Algumas se sentem melhor com o fato de usarem absorventes não-descartáveis. Algumas celebram suas menstruações e querem uma ligação mais próxima com ela, como um símbolo de feminilidade.

Algumas desconfiam dos conglomerados que fabricam absorventes e querem alguma forma de enfrentá-los, afirmou Jenkins-Stevens.

Como Harry Finley, fundador do Museu On-line de Menstruação e Saúde Feminina, que conta a história e cultura da menstruação, explica: “Os recipientes nunca serão populares nos EUA. Eles envolvem um grande contato com o corpo, e eu acho que a maioria das mulheres é um pouco sensível em relação a isso”.

Até o presidente da Instead Inc. concordou: “Esse produto não é para todas as mulheres”.

Os recipientes das duas marcas, que pesam cerca de 28 gramas cada, são dobrados e inseridos na vagina com os dedos.

O Keeper é longo e tem um cabo na parte de baixo que facilita a remoção para limpeza. O Instead fica logo abaixo do colo do útero e é um pouco mais difícil de ajustar. Ele tem que ser removido a cada 12 horas e é necessariamente jogado fora.

Mary F. Frost, presidente da companhia que fabrica o Instead, diz que vende entre 12 e 15 milhões de recipientes por ano, atingindo cerca de 150 mil mulheres. A maior parte é vendida em redes de farmácias.

A presidente da Keeper Inc. Co., Lou Crawford, se recusou a fornecer os números de venda, mas disse que o produto vende “dezenas de milhares de unidades por ano”.

Francine Chambers, que comanda um dos maiores distribuidores do produto pelo site www.keeper.com, disse que o recipiente menstrual “está finalmente virando moda” e estimou que talvez 100 mil mulheres os usem. Brenda Mallory, presidente da GladRags que vende o produto, disse que suas vendas triplicaram nos últimos três anos, para 2.424.

Finley, cujo museu fica em sua casa, em Washington, mas só pode ser visitado pela internet, não tem dados específicos, mas muitas cartas de clientes felizes e algumas insatisfeitas são dispostas no site, www.mum.org.

O primeiro recipiente do país foi aprovado em 1937 por Leona W. Chalmers, uma atriz, que em panfletos promocionais se referia a modelos europeus. A falta de borracha provocada pela guerra tirou sua companhia do mercado, mas ela depois se juntou a um empreendedor capitalista para comercializar seus dois s