Recife é palco de encontro de contadores de histórias

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Publicado sexta-feira, 5 de dezembro de 2003 as 11:16, por: cdb

O Grupo Zumbaiar de Contadores de Histórias quer saber onde estão os contadores de causos dos nove estados do Nordeste. Para isso está organizando, com o apoio da Fundação Gilberto Freyre e da Secretaria de Educação de Pernambuco, o I Encontro Nordestino de Contadores de Histórias.

O evento começa nesta sexta-feira e vai até o domingo, no Espaço Cultural Gilberto Freyre, em Apipucos, no Recife. As inscrições ainda podem ser feitas. Pai do Movimento Armorial, o escritor Ariano Suassuna abre o encontro, às 19h.
    

Contadores de histórias e pessoas interessadas em narrá-las e ouvi-las terão a oportunidade de inaugurar um intercâmbio histórico-cultural, onde os contos e cantos contarão a história de personagens reais nordestinos.

-Será um encontro concebido dentro de uma intenção de aprofundamento, troca e crescimento, de um despertar para a importância e o espaço das histórias, de um mapeamento dos Contadores do Nordeste que desejarem conosco puxar este fio e compartilhar da tecelagem dessa nova história-conta Kika Freyre, integrante do Grupo Zumbaiar de Contadores de Histórias e uma das organizadoras do evento “O homem e o conto: onde se dá este encontro?”.
    

 Segundo ela, sabe-se que a Região Nordeste tem uma forte tradição oral, que várias comunidades mantêm o hábito de reunir-se na calçada para contar as histórias de trancoso e criar seus próprios relatos.

-Mas ninguém sabe onde estão essas pessoas, o que contam, ou se têm hora e dia marcados para que esse encontro aconteça. Por isso, decidimos procurá- las- justifica.
    

Na abertura, o escritor Ariano Suassuna abordará o tema do Encontro contando causos. No sábado, o dia ganhou o nome de “Aboiando Contadores”. Será o momento que representantes dos vários municípios pernambucanos e demais estados nordestinos terão para trocar e repassar suas idéias e experiências de contação de histórias. O aboiar é um recurso usado pelo sertanejo para, através de um berrante, unir toda a boiada.

-Aqui, o aboiar tem o sentido de abraçar em melodia raízes da contação, para que ecoe a magia desse contar, que é tão singular desse caloroso Nordeste- conta Ana Carol Lemos, também integrante do Grupo Zumbaiar de Contadores de Histórias e organizadora do Encontro.
    

O último dia do encontro, domingo, é o momento de “Peneirar as Histórias”. Os participantes terão a oportunidade de revelar o que estão contando em seus grupos, nos municípios e nos estados da Região. Cada participante poderá levar uma ou mais criança para saborear a delícia de ouvir histórias.

-A idéia é não deixar romper este fio, pelo contrário: fazer dele o início da tecitura de uma imensa rede, como uma grande tarrafa que pesca cardumes de histórias nos rios que se alimentam do imaginário popular para manter-se perenes- completa Kika.