Rebelião em Bangu I põe em xeque governo do PT

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Publicado quarta-feira, 11 de setembro de 2002 as 23:56, por: cdb

A rebelião de presos no presídio de Bangu I atingiu um impasse na noite desta quarta-feira. Apesar de o governo ter autorizado o Batalhão de choque da Polícia Militar a invadir a cadeia, onde os bandidos mais perigosos do Brasil ainda têm sob seu poder seis dos oito reféns tomados no início da manhã, as autoridades policiais resolveram dar mais tempo para as negociações.

O motivo dessa decisão, que pretende resguardar a vida dos reféns, também passa pela sucessão estadual – na qual a governadora Benedita da Silva, do Partido dos Trabalhadores, é candidata – e até pela presidencial.

No caso de a invasão ter um desfecho trágico, com mortes de reféns, o PT estaria em xeque, podendo um eventual fracasso respingar na candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, líder das pesquisas de opinião na corrida presidencial.

Os seis reféns estariam amarrados em uma cela onde há dois botijões de gás que os bandidos fariam explodir, segundo ameaçam. Entre os líderes da rebelião, estariao traficante mais perigoso do país, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

A rebelião teve início por volta das oito horas da manhã, quando os presos da facção liderada por Beira-Mar tomaram dois revólveres e uma escopeta dos agentes penitenciários e os fizeram de reféns junto com quatro operários que trabalhavam em obras no presídio.

A princípio, pensou-se que Beira-Mar comandava o motim, mas o Departamento do Sistema Penitenciário declarou que os traficantes conhecidos como My Thor e Gigante estavam à frente.

A rebelião também terá provocado acerto de contas entre traficantes desafetos.

Há informações de que entre quatro e seis presos teriam sido mortos pelos traficantes. Entre eles, estariam Ernaldo Pinto de Medeiros, conhecido no mundo do crime como “Uê”, Wanderley Soares, conhecido como “Orelha”, Carlos Alberto da Costa, o “Robertinho do Adeus”, e Celsinho da Vila Vintém.

A autorização para invadir o presídio foi dada pela governadora Benedita depois de conversar com o presidente Fernando Henrique Cardoso por telefone.

O porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, deu entrevista na TV dizendo que FHC lavou as mãos em relação à situação, autorizando o governo do Rio de Janeiro a tomar as medidas que fossem necessárias.

A Secretaria de Segurança Pública confirmou que dois dos oito reféns foram liberados no início da noite e que o diretor do presídio e outros 12 funcionários foram exonerados por suspeita de conivência com os bandidos.

O Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi deslocado para a unidade Bangu I para cumprir as ordens de entrar na galeria onde estaria concentrado o motim,

Mas, isso só ocorreria com a certeza de que os reféns não sairão feridos.

Beira-Mar avisou aos policias que não se entregará e insiste em dizer que não lidera o motim.