Rebeldes tuaregues anunciam independência do norte de Mali

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Publicado sexta-feira, 6 de abril de 2012 as 10:20, por: cdb
Rebeldes
Rebeldes touaregues anunciam independência de Azawad e pedem reconhecimento internacional

O grupo independentista tuaregue MNLA (Movimento Nacional de Libertação de Azawad) anunciou nesta sexta-feira a “independência do estado de Azawad”, região do norte de Mali, e pediu o reconhecimento da comunidade internacional.

Em comunicado assinado pelo secretário-geral do grupo, Bilal Ag al-Sherif, e divulgado nesta sexta-feira em seu site, o MNLA insiste também no reconhecimento e no respeito das fronteiras dos países vizinhos.

Segundo Sherif, a decisão foi tomada após contatos com os diferentes órgãos representativos do movimento, que pegou em armas contra o poder central de Bamako em 17 de janeiro para exigir a autodeterminação de um território de 850 mil quilômetros quadrados.

Além disso, na nota, na qual reivindicam seu direito a fundar um Estado de acordo com as leis internacionais, se comprometem a “trabalhar para garantir a segurança e avançar em direção à construção das instituições, para finalizar com a redação de uma Constituição democrática para um Estado Azawad independente”.

Na nota, a denominada comissão executiva do MNLA pressiona a comunidade internacional “a reconhecer, sem tardia, Azawad como um Estado independente”.

A comissão afirma que se encarregará de administrar os assuntos do novo Estado até que se nomeie uma autoridade nacional azawad.

Em declarações à rede de televisão “France 24”, Mossa Ag Attaher, porta-voz do MNLA, disse nesta sexta: “nesta noite foi proclamada solenemente a independência de Azawad”.

— Reservamo-nos o direito à autodeterminação recolhido nos tratados internacionais e nos comprometemos a respeitar todas as fronteiras que separam o Estado autoproclamado dos países limítrofes, assegurou.

— Assumimos completamente o papel que nos incumbe para dar segurança a esses territórios, acrescentou o porta-voz. “Temos uma cultura milenar de tolerância, de não impor a ninguém nenhuma religião, e vamos seguir assim”.

Há dois dias, o MNLA anunciou o fim “unilateral das operações militares”, que entrou em vigor na quinta-feira, depois de o Conselho de Segurança da ONU ter pedido o fim dos ataques no norte de Mali.