Rebeldes líbios dizem estar próximos de Gaddafi

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 26 de agosto de 2011 as 17:14, por: cdb

Rebeldes líbios dizem estar próximos de Gaddafi

Por Samia Nakhoul e Mohammed Abbas

TRÍPOLI (Reuters) – Rebeldes líbios disseram nesta sexta-feira que estão próximos de capturar Muammar Gaddafi, depois de a Otan bombardear um dos últimos redutos do líder deposto, mas não há sinais de um final iminente para a guerra ou as divergências internacionais sobre como lidar com as riquezas da Líbia.

Líderes do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão dos rebeldes que goza de amplo apoio ocidental, pressionaram governos estrangeiros a liberarem patrimônio líbio congelado no exterior, e alertaram para a urgente necessidade de impor a ordem e restabelecer os serviços públicos para uma população traumatizada por seis meses de conflito e por 42 anos de um regime excêntrico e personalista.

Mas tradicionais aliados de Gaddafi na África, beneficiados durante anos pela generosidade dele e simpáticos ao seu discurso anticolonial, ofereceram um pouco de consolo ao líder foragido e irritaram os rebeldes ao se recusarem a reconhecer o CNT como governo legítimo, a exemplo do que já fizeram potências ocidentais e vários governos árabes.

Essa relutância da União Africana — somando-se à posição de grandes potências como China, Rússia e Brasil, que relutam em ver as maiores riquezas petrolíferas da África sendo dominadas por europeus e norte-americanos — pode retardar a liberação de fundos para os rebeldes.

Mahmoud Jibril, chefe do governo instalado pelos rebeldes, disse que há pressa. Em visita à Turquia, ele declarou: “Precisamos estabelecer um Exército, uma força policial sólida, para conseguir atender às necessidades do povo, e precisamos de capital e de bens”.

Após combates com forças pró-Gaddafi, os rebeldes assumiram o controle do principal posto fronteiriço na estrada litorânea que leva à Tunísia, reabrindo assim um caminho para o envio de ajuda humanitária e de outros mantimentos a Trípoli.

Embora muitos Estados africanos tenham reconhecido o CNT, a União Africana disse que não tomará essa medida enquanto os combates persistirem, disse o presidente sul-africano, Jacob Zuma, após reunião da entidade em Adis Abeba. A posição oficial da UA é de defender que os envolvidos negociem a paz e trabalhem pela democracia.

Os rebeldes estão empenhados em demonstrar que estão no comando, mas há discrepâncias nas estimativas sobre quando o CNT irá se transferir formalmente de Benghazi para Trípoli.

GADDAFI “SOB CERCO”

Os líderes do CNT garantem que estão dispostos a colaborar com outros grupos rebeldes que surgiram posteriormente no oeste da Líbia, e também com pessoas que antes apoiavam Gaddafi. Mas os rebeldes insistem que a guerra só irá terminar quando o líder deposto for apanhado, “vivo ou morto”.

Mohammed al-Alagi, advogado que atua como ministro da Justiça dos rebeldes, demonstrou confiança de que Gaddafi e seus filhos e assessores já estejam cercados e que serão capturados em breve.

“A área onde ele está agora está sob cerco”, afirmou o rebelde à Reuters, sem especificar em que parte de Trípoli fica isso.

Já o coronel rebelde Hisham Bihagiar disse que forças especiais estão vasculhando vários bairros. “Estamos enviando forças especiais todos os dias para caçar Gaddafi. Temos uma unidade que faz a inteligência, e outras unidades que o caçam”.

Paralelamente, uma força rebelde está voltando suas atenções para Sirte, cidade natal de Gaddafi, 450 quilômetros a leste da capital. Para ajudá-la, aviões britânicos bombardearam um bunker na cidade.

Há quem acredite que Gaddafi poderia tentar se refugiar nessa região, valendo-se das afinidades tribais. Além disso, partidários dele ainda dominam algumas posições nos confins do Saara.

“Sirte continua sendo uma base operacional a partir da qual tropas pró-Gaddafi projetam forças hostis contra Misrata e Trípoli”, disse um funcionário da Otan, acrescentando que as forças da aliança também contiveram uma coluna de 29 veículos que seguia para oeste, na direção de Misrata, que está em poder dos rebeldes.

(Reportagem de Peter Graff, Ulf Laessing, Mohammed Abbas e Samia Nakhoul em Trípoli; Robert Birsel, Emma Farge e Alexander Dziadosz em Benghazi; Barry Malone em Addis Ababa; Hamid Ould Ahmed e Marie-Louise Gumuchian em Argel; Giles Elgood, Christian Lowe, Tarek Amara e Richard Valdmanis em Túnis; Ibon Villelabeitia em Ancara; Jon Hemming em Londres; Arshad Mohammed em Washington; e Justyna Pawlak em Brussels)

Reuters