Rebeldes dizem que tomada do poder na capital Bangui é fato consumado

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Publicado domingo, 16 de março de 2003 as 13:12, por: cdb

A tomada do poder organizada pelas forças rebeldes leais ao ex-chefe das forças armadas da República da África Central na capital Bangui já é fato consumado, disse seu porta-voz, Parfait Mbaye, em entrevista à Radio France Internationale (RFI).

“É fato consumado, os fatos estão aí”, afirmou, horas depois dos rebeldes que lutaram pelo general Francois Bozize anunciarem que tomaram o palácio presidencial e o aeroporto de Bangui, forçando o presidente Ange-Felix Patasse’s a voar para Camarões.

O porta-voz já se referia ao general como presidente Bozize nesta entrevista em Bangui à RFI. “Eu acredito que esta interrupção do processo democrático na África Central é necessária para colocar as coisas de volta em seu lugar e começar de novo”, disse.

Mbaye afirmou ainda que os rebeldes querem uma transição coletiva, com a participação de todas as pessoas da África Central, e não apenas uma transição militar.

Em Bangui, as ruas estavam relativamente calmas no início deste domingo, apesar de tiros serem escutados de vez em quando, vindos de prédios do governo. Aparentemente, os disparos eram para dispersar invasões e saques a endereços comerciais, casas de expatriados e de homens de negócios.

A rádio nacional ficou transmitindo música militar durante horas enquanto os centro-africanos esperavam ansiosamente um pronunciamento dos rebeldes.

Esta é a segunda tentativa de golpe no país em cinco meses. Patasse sobreviveu a outro ataque das forças de Bozize em outubro, ajudadas pela tropas líbias e por um grupo rebelde da República Democrática do Congo.

Patasse tentou retornar de Niamey para Bangui no sábado, mas seu avião foi alvo de disparos e quando se aproximava da capital teve que mudar a rota para Iaundê.

O presidente e uma grande delegação tiveram que passar a noite em um hotel nesta cidade, onde a segurança foi reforçada.

Bozize também esteve envolvido em uma tentativa de golpe em dezembro de 2001, quando foi exilado em Chade e depois na França. Ele retornou por pouco tempo ao país no ano passado, em outra tentativa de golpe, mas deixou a região novamente.

Informações de Chad esta semana indicam que ele pode ter voltado para o local. Os oficiais rebeldes se recusaram a dizer qual é sua localização no sábado.