Realismo enfraquece o Festival de Cinema de Berlim

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Publicado sábado, 15 de fevereiro de 2003 as 08:49, por: cdb

Antes da exibição de gala de “Gangues de Nova York”, serão entregues, hoje à noite, os Ursos de Ouro e de Prata para os vencedores do 53º Festival de Cinema de Berlim.

Foi uma edição bastante melancólica, ao menos com relação àquilo que se viu na tela.

A morte esteve presente em nada menos do que 13 das 22 produções que participam da mostra competitiva, sendo que o suicídio foi tema de três filmes.

O retrato que Dieter Kosslick, diretor do festival, traça da humanidade no início do século 21 é que, tanto do ponto de vista social como do subjetivo, há uma grave crise em curso, que o cinema acaba refletindo de maneira realista na maioria dos selecionados.

Tal realismo é, entretanto, o problema desse festival. Muitos filmes tornaram-se praticamente documentários e, como produções para o cinema, fracos.

Nessa vertente, sobressai-se In this World, do inglês Michael Winterbottom, seja pela qualidade de sua produção, seja pela ótima participação de atores não profissionais.

Se a decisão do júri for premiar um filme com temática política, a saga de dois imigrantes afegãos até Londres, retratada por Winterbottom, deve ser o escolhido. Ao menos como diretor.

No entanto, há outras quatro produções com grandes chances: o alemão Good Bye, Lenin!, o chinês Hero e os norte-americanos “A Última Noite” e “As Horas”. São filmes bastante diferentes, mas os mais comentados do festival. Todos são ótimas produções, sofisticadas e inteligentes.

Os com mais chances são Good Bye, Lenin!, que pode dar à Alemanha um Urso de Ouro, o que não ocorre há 17 anos, e “As Horas”, o que seria uma forma de compensar o menor número de indicações da produção ao Oscar na comparação com “Chicago”.

Já na premiação para atores, é difícil que Hollywood não leve tanto no papel feminino como no masculino. Vários artistas da capital mundial do cinema vieram prestigiar o festival e, em geral, tal presença é o primeiro passo para a premiação.

Assim, Nicolas Cage, por “Adaptação”, ou Kevin Spacey, por The Life of David Gale, seriam os mais óbvios. Mas George Clooney, presente em dois filmes, Solaris e Confessions of a Dangerous Mind, também tem chance. Já para melhor atriz, é bem provável que Nicole Kidman ganhe aqui também. Agora, com a palavra, o júri.