Ratinho Júnior investe contra ‘petismo’ e adversário assume dianteira em Curitiba

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Publicado sexta-feira, 19 de outubro de 2012 as 11:49, por: cdb

Ratinho Júnior investe contra ‘petismo’ e adversário assume dianteira em Curitiba

Apesar de seu partido ser da base de apoio ao governo Dilma e de pedir neutralidade de Lula, candidato do PSC aposta em preconceito contra o PT. Com apoio dos petistas, Fruet (PDT) lidera com folga

Por: Frédi Vasconcelos, especial para a Rede Brasil Atual

Publicado em 19/10/2012, 14:40

Última atualização às 14:40

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Gustavo Fruet, em campanha com a ministra da Casa Civil, Gleise Hoffman, que constrói candidatura ao governo do estado (Foto: Facebook Gustavo Fruet)

Curitiba – Aseleições em Curitiba vêm reservando surpresas a cada dia. Primeirohouve erro nas pesquisas, que apontavam o segundo turno entre ocandidato Ratinho Júnior (PSC) e o atual prefeito, Luciano Ducci(PSB). Apuradas as urnas, passaram Ratinho Júnior e Gustavo Fruet (PDT).Ducci acabou derrotado por cerca de 5 mil votos, mesmo tendo nas mãosa máquina da prefeitura e o apoio do governador do estado, BetoRicha (PSDB).

As surpresascontinuaram com o jogo de xadrez de apoios no segundo turno. Oex-governador Jaime Lerner (de ligação histórica com o DEM)declarou apoio a Fruet, coligado ao PT. O senador peemedebistaRoberto Requião (da base de apoio do governo federal) optou porRatinho Júnior. Para entender, só mesmo conhecendo a políticaparanaense e sabendo que os coronéis sempre vão para lados opostos,nem sempre de maneira coerente.

As coisas secomplicam ainda mais porque, veladamente, os dois candidatos fazemapologia de recursos e programas do governo federal em suascampanhas. O apresentador de TV Carlos Massa, o Ratinho, pai docandidato, chegou a conversar com Lula pedindo a neutralidade doex-presidente. Os ministros petistas Paulo Bernardo (Comunicações)e Gleisi Hoffman (Casa Civil) foram os principais avalistas do apoiodo partido à chapa de Fruet desde o primeiro turno. A ministraconstrói sua candidatura ao governo do estado em 2014.

Contraditoriamente,nesta semana a coligação de Ratinho Júnior veiculou inserções na TV emque apelou para o antipetismo. Numa delas, o apresentador dizia que oPT tentou ganhar a prefeitura com o Vanhoni (deputado federal queconcorreu duas vezes), depois com a atual ministra-chefe da CasaCivil, Gleisi Hoffman: “Também não deu certo. Agora o PT adotouuma tática diferente, veio junto com o Gustavo Fruet. Funcionaassim, o Gustavo vai na frente e o PT vem assim ‘escondidinho’.Será que dessa vez eles conseguem? Acho que não, o curitibano nãovai deixar”.

Noutra veiculação,a campanha de Ratinho Júnior ataca as prefeituras administradas peloPT, citando a cidade de Joinville (SC), em que o prefeito não sereelegeu. Questionado em relação a essa dubiedade entre apoiar ecriticar o PT, o candidato desconversa: “Nós não atacamos o PT”.Os vídeos foram retirados das páginas oficiais, mas continuamdisponíveis em blogs locais, como este(http://blogdotarso.com/tag/ratinho-junior/).

É difícil saber seo apelo ao preconceito em relação ao Partido dos Trabalhadores foiuma estratégia desesperada ou uma aposta. Mas o fato é que não temfuncionado. As pesquisas divulgadas ontem (18) mostraramo filho do apresentador de TV em grande desvantagem.

Pelo Datafolha,Fruet tem 52% das intenções de voto, contra 36% de Ratinho Junior(60% a 40% considerados somente os votos válidos). Outra pesquisa,do instituto IRG, mostra Fruet com 48% e Ratinho, 35,8%. Caso estejamcorretas desta vez, as chances de Fruet, a pouco mais de umasemana da eleição, são consideráveis.

Debate na Band

Além da divulgaçãodas duas pesquisas, a última quinta-feira foi marcada também pelodebate entre os candidatos na TV Bandeirantes. Ratinho Júniorinsistiu no fato de não ser de família tradicional, que veio dointerior e trabalha desde os 13 anos com o pai e desde os 16administra negócios da família, não fazendo parte da “oligarquia”local.

No campo pessoal,Fruet falou de realizações de seu pai, o ex-prefeito da cidadeMaurício Fruet (ligado a Requião), mas a coisa esquentou quandoRatinho Júnior atacou a gestão da irmã do candidato, Eleonora Fruet, à frente daSecretaria Municipal de Educação na administração de Beto Richa naprefeitura. Fruet revidou dizendo ser covardia falar da irmã sem elaestar presente, no que Ratinho atacou novamente falando que covardiafoi a coligação do adversário fazer panfleto apócrifo falando maldele e de sua família. Fruet negou a acusação, disse que foiarmação de um dono de gráfica que está preso, mas também atacouo adversário por conta da utilização, segundo ele, das emissorasda família para campanha eleitoral irregular.

Depois da quentura,os ânimos serenaram e os candidatos passaram a fazer perguntas sobreprograma de governo em que repetiram à exaustão programas paraeducação, saúde, segurança, turismo, transporte, calçadas, Copado Mundo etc. Com números e valores decorados e escritos por suasassessorias.

A disputa final foipara cada um mostrar  por que era mais preparado do que o outro, jáque nenhum dos dois esteve em cargo executivo. Ratinho Júnior voltou a falarde sua experiência, de trabalhar desde os 13 anos e de teradministrado as empresas da família, além de ser deputado federal.Fruet voltou a mencionar o pai, ex-prefeito, destacando sua vidapública como deputado estadual e federal e a formação comoadvogado.

Ao final, os doisdestacaram novamente o trânsito que têm com o governo federal (PT)e o estadual (PSDB), o que possibilitaria trazer mais recursos paraexecutar a infinidade de promessas feitas. E deixando claro, mais umavez, que a política em Curitiba é mais intrincada e conservadora doque em outras capitais brasileiras.