Querem impedir memorial a João Goulart

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Publicado terça-feira, 12 de maio de 2015 as 15:00, por: cdb
Reacionários querem impedir a construção de um Memorial a João Goulart, em Brasília
Reacionários querem impedir a construção de um Memorial a João Goulart, em Brasília

Setores retrógrados da política brasileira, remanescentes dos golpistas de 1954 e de 1964, contra João Goulart, voltam a colocar suas garras podres do lado de fora. Não se conformam com a democracia e as transformações hora em andamento no país, necessárias para se ter um Brasil mais justo socialmente.

Nos últimos dias, figuras nefastas e protagonistas de fatos que envergonham a nação brasileira, entre os quais o empresário e ex-político, Paulo Octávio, voltaram-se, desafiadoramente, contra o erguimento em Brasília do Memorial em homenagem ao Presidente João Goulart, que governou o Brasil, de 1961 a 1964 e foi deposto por um movimento civil militar que mergulhou a nação em uma noite escura de 21 anos.

Depois de vários anos de polêmicas e quedas de braço, vale sempre repetir, o projeto do Memorial foi aprovado e começou a ser construído no Eixo Monumental de Brasília, na Praça do Cruzeiro, próximo ao memorial do Presidente Juscelino Kubistchek, fundador de Brasília, de quem, por sinal, Jango foi vice.  O terreno  tem 10,8 mil metros quadrados e foi destinado ao Instituto João Goulart em abril de 2013, na gestão Agnelo Queiroz (PT). É uma realidade.
Uma campanha popular com o apoio de inúmeros signatários tornou possível a homenagem ao Presidente João Belchior Marques Goulart, Jango.

Mas os setores retrógrados não se conformaram com o andamento do Memorial que começou a se tornar realidade com a instalação de tapumes próximo da construção.

Ao nefasto Paulo Otávio somou-se ao movimento de boicote ao Memorial, Silvestre Gorgulho, ex-secretário da Cultura do Distrito Federal no governo do corrupto José Roberto Arruda.

Gorgulho usa um argumento falso ao afirmar que o autor do projeto do Memorial, o arquiteto Oscar Niemeyer teria lhe dito que o projeto era para ser erguido em São Borja, cidade gaúcha onde nasceu João Goulart.

Tal argumento não se sustenta. Niemeyer, claro, sabia que estava desenhando o projeto do Memorial para ser erguido em Brasília. Vera Lúcia Niemeyer, a viúva do arquiteto confirma isso, o que desmente categoricamente Silvestre Gorgulho.

É tamanho o ódio dos detratores de Jango, que no último protesto estimulado pela mídia conservadora contra o Governo Dilma Rousseff, ocorrido no domingo (12 de abril), que alguns organizadores chegaram a ameaçar derrubar os tapumes em torno do Memorial.  Ficaram na ameaça, o que levou João Vicente Goulart, presidente do Instituto João Goulart a pedir proteção policial para evitar a violência.

Os inimigos de Jango e do povo, inconformados com a homenagem, possivelmente não vão desistir de intuito destruidor.

Para evitar que isso aconteça é necessário que as autoridades e os movimentos populares garantam a justa homenagem ao único Presidente brasileiro que morreu no exílio.

Na verdade, como já foi dito por Verônica Fialho, diretora do Instituto João Goulart, os setores que se colocam contra a construção do Memorial em Brasília “mais uma vez querem cassar o Jango”.

O Memorial João Goulart na verdade pertence ao povo brasileiro e não há condições de as forças retrógradas impedirem a homenagem.

Mário Augusto Jakobskindjornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , lançado no Rio de Janeiro.

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