Queda no PIB permanece na casa dos 3%, segundo pesquisa do BC

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Publicado segunda-feira, 8 de agosto de 2016 as 12:29, por: cdb

Para 2017, a projeção de crescimento do PIB segue em 1,1% há três semanas consecutivas

 

Por Redação – de Brasília

 

Instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC), em pesquisa divulgada nesta segunda-feira, ajustaram a estimativa de encolhimento da economia pela segunda vez consecutiva. A projeção de queda do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, passou de 3,24% para 3,23%. Para 2017, a projeção de crescimento segue em 1,1% há três semanas consecutivas. As projeções fazem parte de pesquisa feita todas as semanas pelo BC sobre os principais indicadores da economia. O Boletim Focus é divulgado sempre no início da semana.

BC
Segundo o Banco Central, em 2017 a previsão de crescimento daa economia é de apenas 1,1%

A projeção das instituições financeiras para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), passou de 7,21% para 7,20% este ano, e de 5,20% para 5,14%, em 2017. As estimativas estão distantes do centro da meta de inflação de 4,5%. Para este ano, a projeção ultrapassa também o limite superior da meta de 6,5%. O teto da meta em 2017 é 6%.

PIB e meta inflacionária

É função do BC fazer com que a inflação fique dentro da meta. Um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação, é a taxa básica de juros, a Selic.

Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, mas a medida alivia o controle sobre a inflação.

O BC tem que encontrar equilíbrio ao tomar decisões sobre a taxa básica de juros, de modo a fazer com que a inflação fique dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano. A expectativa das instituições financeiras para a taxa permanece em 13,50% ao ano, ao final de 2016, e em 11% ao ano, no fim de 2017.

A projeção para a cotação do dólar segue em R$ 3,30 ao final de 2016, e em R$ 3,50 no fim de 2017.

Inflação semanal

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas, atingiu 0,46% na primeira semana de apuração em agosto, 0,09 ponto percentual acima da taxa registrada na última divulgação. Seis das oito classes de despesa que compõem o índice apresentaram aumento.

Segundo os dados, a maior contribuição partiu do grupo alimentação, que passou de 0,39% para 0,72%, com destaque para o comportamento do item frutas (de -7,40% para -3,09%). Também registraram acréscimo os grupos educação, leitura e recreação (de 0,71% para 1,06%), vestuário (de 0,18% para 0,31%), transportes (de 0,25% para 0,32%), saúde e cuidados pessoais (de 0,85% para 0,87%) e comunicação (de 0,17% para 0,18%).

De acordo com o índice, nessas classes de despesa tiveram elevação os itens show musical (de 4,76% para 9,49%), roupas (de -0,01% para 0,19%), gasolina (de 0,22% para 0,59%), artigos de higiene e cuidado pessoal (de 2,14% para 2,38%) e mensalidade para internet (de 0,88% para 1,11%).

Tiveram queda os grupos habitação (de 0,14% para -0,01%) e despesas diversas (de 0,49% para 0,31%). Contribuíram para a queda o condomínio residencial (de 0,84% para -0,15%) e a tarifa postal (de 8,30% para 6,02%).

Recuperações judiciais

Diante da crise demonstrada nos números do PIB brasileiro, calculado pelo BC, os pedidos de recuperações judiciais de empresas brasileiras subiram 29,6% em julho sobre um ano antes, para 175 solicitações, na maior marca para o mês após a entrada em vigor da Nova Lei de Falências em 2005, informou a Serasa Experian nesta segunda-feira. Na comparação com junho, os pedidos de recuperações judiciais avançaram 4,2%.

No mês passado, a maior parte das ocorrências veio de micro e pequenas empresas, com 122 pedidos. As médias realizaram 36 pedidos e as grandes empresas, 17. No ano, os pedidos de recuperação judicial cresceram 75,1%, para 1.098 ocorrências, sendo 657 de micro e pequenas empresas.

Os requerimentos de falências, por sua vez, subiram 9,2% contra julho de 2015, para 189 pedidos. Houve queda de 3,1% na comparação mensal.