Quatro grandes operadoras vão dominar a telefonia celular na América Latina

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Publicado quinta-feira, 4 de outubro de 2001 as 17:44, por: cdb

Um mercado dominado por apenas quatro grandes operadoras de telefonia móvel celular. Esta é uma das conclusões apresentadas em um relatório divulgado recentemente pela Pyramid Research, onde mostra que o mercado de telecomunicações na América Latina estará tão consolidado até o final de 2001 que apenas quatro operadoras vão ter 83% dos assinantes da região.

O estudo mostra que a BellSouth (15%), Telecom Italia (14%), Telefónica Móviles (25%) e América Móvil SA (29%) – operadoras originárias dos EUA, Itália, Espanha e México, respectivamente – vão controlar um mercado composto por 83,4 milhões de usuários de telefonia móvel esperados na América Latina até o final do ano.

O relatório da Pyramid aponta para o fato de que a América Móvil, por exemplo, detém parte controle acionário de operadoras em vários países latino-americanos, como México, Guatemala, Equador, Argentina e Brasil. Já a Telecom Itália possui participações acionárias na Argentina, Brasil, Chile, Perú e Venezuela. A Telefónica Móviles, por sua vez, está presente na Argentina, Perú, Brasil, Chile e Guatemala, enquanto a BellSouth atua na Argentina, Brasil, Chile, Perú e Venezuela, entre outros.

O estudo, entretanto, avalia que apesar desse domínio as quatro grandes operadoras enfrentarão dois grandes desafios, sendo que o primeiro deles será o de continuar a aumentar sua base de assinantes atraindo novos usuários. O segundo dos desafios será o de conseguir receita adicional dos assinantes existentes, incentivando-os a adotar serviços de valor agregado como acesso Internet e transmissão de dados móvel.

O problema, de acordo com a pesquisa, em conquistar esses dois nichos é que eles são extremamente distintos e requerem abordagens radicalmente diferentes – o que exigirá ainda mais esforços e investimentos das operadoras. “Para ganhar a supremacia regional, essas operadoras pan-regionais estão adotando uma estratégia de crescimento vertical que inclui expandir seu território e, ao mesmo tempo, criar novos produtos baseados em dados”, enfatiza o estudo.

Uma das conclusões é que para conquistar assinantes novos, as operadoras de telecomunicações deverão adotar estratégias como oferecer aparelhos a preços atraentes juntamente com planos pré-pagos e continuar expandindo suas redes para suportar o crescimento de tráfego. Porém, na opinião da empresa de pesquisas, os gastos em infra-estrutura estão cada vez mais difíceis nestes tempos de crise, à medida que os fabricantes de equipamentos de telecomunicações estão recebendo menos investimento.

Já para a venda de serviços de transmissão de dados e de acesso Internet via celular para consumidores e corporações, o estudo mostra que as operadoras deverão conquistar a fidelidade dos clientes com novos serviços, além de fornecer um conteúdo de alta qualidade, como notícias e aplicações corporativas, que podem ser acessados através de uma série de dispositivos móveis, como celulares, PDAs e laptops.

Assim, a pesquisa enfatiza que para reagir à queda dos preços e ao encolhimento da receita, essas operadoras deverão investir no crescente mercado de acesso Internet e transmissão de dados via telefonia celular móvel – um segmento que no ano passado respondeu apenas por 1,2% da receita de serviços móveis da região, que apresentou um resultado total de US$ 20,1 bilhões. A expectativa, segundo a Pyramid Research, é de que esse índice venha a ser de 15% dos US$ 42,5 bilhões previstos para o segmento por volta do ano de 2006.