Putin promete fazer de tudo para salvar reféns de escola russa

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Publicado quinta-feira, 2 de setembro de 2004 as 17:42, por: cdb

Soldados camuflados retiraram na terça-feira crianças apavoradas da escola que foi ocupada por militantes armados no Sul da Rússia, mas centenas de reféns passam uma segunda noite com fome e sede.

O presidente Vladimir Putin, enfrentando mais uma agressão atribuída aos separatistas da Chechênia, prometeu fazer de tudo para salvar as centenas de crianças, pais e professores que estão confinados no ginásio da escola, sob um calor abrasador.

Os seqüestradores, que ameaçam explodir a escola, libertaram 26 mulheres e crianças que estavam entre os cerca de 350 reféns. A escola fica na república da Ossétia do Norte, vizinha da Chechênia.

A produtora Olga Petrova, da TV Reuters, viu as mulheres e crianças sendo retiradas em um carro junto com o ex-líder da vizinha Ingushétia, Ruslan Aushev, que intermedeia a crise. “Acabou, vocês estão bem”, disse carinhosamente um soldado com a metralhadora atravessada sobre as costas, a um frágil bebê de cerca de três meses, quando passava em frente a um veículo blindado.

O soldado entrou no carro de Aushev, junto com duas outras crianças pequenas – uma delas, nua, chorava muito.

O porta-voz do governo local, Lev Dzugayev, disse que 26 pessoas já foram libertadas. Outra fonte especificou que foram 15 crianças e 11 mulheres.

Pelo menos sete pessoas morreram na ocupação da escola. A Cruz Vermelha ouviu de colegas russos que podem ter sido até 16 mortos.

O pediatra Leonid Roshal, que também participa da mediação por telefone, disse que a libertação do grupo foi “uma grande vitória”. “Mas, olhando para o quadro mais amplo, é uma gota no oceano. Há muito trabalho pela frente”, disse ele a jornalistas na região, habitada por cristãos e muçulmanos de vários grupos étnicos, que mantêm uma história de relações turbulentas.

Os seqüestradores, segundo Roshal, ainda proíbem a entrega de água e comida na escola. Ele disse que um final desastroso da crise poderia criar “uma guerra entre povos irmãos inguches, ossétios e chechenos” e que “milhares de vidas poderão ser perdidas”.

A Ossétia, com população predominantemente ortodoxa, é a principal base de apoio da Rússia na guerra intermitente contra os separatistas muçulmanos da Chechênia, que já dura mais de uma década. No começo dos anos 1990, um conflito territorial entre ossétios e inguches (etnicamente semelhantes aos chechenos) matou centenas de pessoas.