Putin oferece anistia para combatentes separatistas

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Publicado sexta-feira, 16 de maio de 2003 as 00:43, por: cdb

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, sob pressão para agir depois de dois ataques suicidas na Tchetchênia, propôs uma anistia limitada para os combatentes separatistas.

A crise na Tchetchênia ajudou a levar Putin ao poder. No entanto, essa mesma crise, segundo diplomatas, pode prejudicar a imagem dele a cerca de um ano de tentar se reeleger.

Em uma carta enviada à Duma (câmara baixa do Parlamento), Putin descreveu a oferta de perdão como ”um gesto humanitário, cujo objetivo principal é criar uma vida pacífica na República tchetchena”.

A anistia não valeria para os culpados de atos graves de violência e parece ter sido elaborada para que o Kremlin (sede do governo russo) mostre estar tomando medidas em relação à Tchetchênia.

Em seu discurso anual, marcado para amanhã, Putin terá poucas boas notícias para dar à população russa da República apesar de ter vencido um plebiscito realizado na região em março passado. No plebiscito, reafirmou-se que a Tchetchênia era parte da Rússia.

Os sucessivos ataques das guerrilhas separatistas tornam irreais as declarações do governo russo de que a população tchetchena se uniu em torno do plano de paz do Kremlin e que a região voltava à normalidade.

Putin foi eleito presidente em 2000 com a promessa de sufocar a rebelião separatista no território tchetcheno, majoritariamente muçulmano, e colocar fim ao conflito, no qual já morreram milhares de pessoas.

O pior momento para o presidente foi vivido em outubro passado, quando rebeldes tchetchenos invadiram um teatro de Moscou, fazendo 700 pessoas reféns. O sequestro acabou com a intervenção das forças especiais russas. Na ação, morreram todos os sequestradores e 129 reféns.

O número de vítimas do atentado suicida cometido ontem por uma mulher em uma festa religiosa, no leste da Tchetchênia, elevou-se para 16 mortos. Na segunda (12), três caminhões carregados com explosivos invadiram um complexo do governo na região norte e mataram 59 pessoas.

A anistia, proposta por Putin, valeria para todos os guerrilheiros tchetchenos que entregassem suas armas e abandonassem suas atividades até 1º de agosto próximo.