PT e campanha de Dilma terão tesoureiros diferentes

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Publicado terça-feira, 9 de março de 2010 as 12:47, por: cdb

Ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff praticamente descartou a possibilidade de o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, ser o responsável pelas finanças de sua campanha. Ela afirmou que a tendência é manter a estratégia adotada pelo partido em 2006 de separar as duas tesourarias.

– Nós temos tido nas últimas eleições uma opção por diferenciar as duas tesourarias, a tesouraria do partido, uma vez que ela tem mais obrigações do que a campanha presidencial. Então a tendência é manter isso, a mesma coisa que ocorreu em 2006 na época da eleição do presidente Lula – afirmou nesta terça-feira a ministra ao chegar no Senado onde participa da solenidade em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, passado na véspera.

Vaccari Neto, de acordo com reportagem da revista conservadora Veja, teve o seu sigilo bancário quebrado pelo Ministério Público de São Paulo, que estaria investigando irregularidades cometidas pela Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), quando ele ocupava a diretoria da entidade.

A ministra defendeu o companheiro de partido ao ser perguntada sobre o assunto. Ela disse que o tesoureiro não pode ser condenado sem ter antes a oportunidade de apresentar sua defesa.
– Acho que o Vaccari tem todo o direito de defesa e nós temos tido bastante clareza em defender o direito de as pessoas se defenderem antes de serem condenadas, acusadas e de fato afastadas do que fazem – afirmou.

Dilma confirmou que, durante a campanha presidencial, receberá salário do PT. Ela ressaltou que terá de se licenciar do cargo no governo federal, o que deve ocorrer no início de abril, e, por força da lei, não receberá o salário da Fundação de Economia e Estatística, órgão ao qual é vinculada, uma vez que estará licenciada.

– Posto que eu não posso viver de brisa e não sou rica, vou ter que ter uma salário do PT – completou a ministra.

Ainda sobre campanha, Dilma Rousseff negou que pretenda colocar um executivo na sua equipe, conforme notícias divulgadas pela imprensa:

– Não comentei isso nem sequer cogitei.

Dilma Rousseff também disse não estar “nem um pingo irritada” com acusações de que esteja utilizando a máquina pública para campanha. Neste sentido, ela saiu em defesa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que não foi fácil “tirar um país de uma situação de não investimento, que não tinha projeto, não tinha licença, não tinha obra.”

Sobre a iniciativa do PSDB de aprovar na semana passada um projeto de lei que cria, dentro do programa Bolsa Família, um incentivo financeiro para beneficiários que tenham crianças e adolescentes com bom desempenho escolar, a ministra perguntou de onde virão os recursos para bancar a iniciativa. Ela disse que, caso isso não seja bem definido, há o risco de “começar a sair por aí fazendo toda espécie de benefício num momento eleitoral para a população e não dizendo de onde a gente tira o dinheiro para cumprir”.

Preparada

Na passagem do Dia Internacional da Mulher, Dilma afirmou que o Brasil está preparado para ter uma mulher na Presidência da República e as mulheres, por sua vez, também estão capacitadas para liderar a nação.

– Muitas vezes me perguntam se o Brasil está preparado para ter uma mulher presidenta. Eu digo a vocês que não só o Brasil está preparado, mas as mulheres estão preparadas – afirmou Dilma em discurso para uma plateia formada em sua maioria por mulheres em evento no Rio de Janeiro.

A platéia interrompeu o discurso da ministra aos gritos de “Dilma presidente!”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que encerrou a solenidade, lembrou que Dilma pode ser vítima de preconceito de uma sociedade machista, embora ele considere o país maduro suficiente para conduzir uma mulher ao Planalto.

– Acho que eu não poderia dar uma demonstração de apreço mais forte pela luta das mulheres desse país do que indicar ao meu partido e aos meus aliados para me substituir nada mais nada menos do que uma mulher presidente, uma mulher de luta e que já provou do que ela é capaz. Preparem-se porque o preconceito continua e contra a mulher ainda é muito forte. Certamente uma sociedade machista como a nossa ainda não está 100% preparada para ver uma mulher prefeita e presidente da República…Se uma mulher é capaz de parir um político, por que também não é capaz de parir uma administração mais competente do que o político que ela conseguiu colocar no mundo? – concluiu Lula.