PT decide se vai afastar os radicais

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Publicado terça-feira, 29 de abril de 2003 as 08:40, por: cdb

A bancada do PT na Câmara dos Deputados vai decidir, nesta terça-feira, se afasta o deputado Lindberg Farias (PT-RJ) de uma das vice-lideranças do partido na Casa. Segundo informações da rádio CBN, a bancada se reúne nesta terça às 15h para não só decidir o ‘caso Lindberg’ como também definir se as comissões das reformas previdenciária e tributária sofrerão alterações.

Alguns deputados petistas defenderam em reunião nesta noite com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, as substituições nas comissões de petistas radicais por “leais ao governo Lula”.

Lindberg, um dos principais rebeldes do partido, chegou a informar nesta segunda-feira que tinha sido afastado da vice-liderança na Câmara. O partido tem, no total, 23 vice-lideranças. A gota d´água para a crise no partido foi um encontro que o deputado teve com a senadora Heloísa Helena (PL-AL) e o presidente do PDT, Leonel Brizola, no último domingo.

Eles declararam, após o encontro, que pretendiam entrar com uma ação na Justiça contra a propaganda que o governo federal vem fazendo na televisão sobre a reforma da Previdência. Segundo Lindberg, o episódio de domingo teve por objetivo defender uma postura mais à esquerda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

O deputado Paulo Bernardo (PT-MG), um dos principais críticos da ala radical do partido, defende com veemência o “enquadramento” dos rebeldes. “Nós vamos ter que enquadrar. Não dá para cinco ou seis enquadrarem mais de 80. Tem que ser ao contrário”, afirmou.

Os bombeiros também agiram no Senado. O pedido de expulsão de Heloísa Helena chegou a ser anunciado pelo líder da bancada do PT, Tião Viana (AC). Por telefone, no entanto, ela amenizou o tom.

Heloísa Helena ressaltou a ilegalidade da propaganda, mas negou ter acusado o governo de mentiroso. Depois da conversa, Viana também recuou e disse que numa reunião às 8h30 desta terça-feira a bancada irá ouvir as explicações da senadora alagoana.

No Palácio do Planalto, o aviso também foi dado: o governo do PT não abrirá mão da taxação dos inativos.

– A proposta de contribuição dos inativos é fruto de um amplo acordo que envolveu os 27 governadores de Estado e o governo federal, portanto esta será a proposta encaminhada pelo governo ao Congresso. Mas é ao Congresso, como Poder soberano, que cabe decidir a respeito – disse o porta-voz André Singer.