PT de Campinas defende manutenção de aliança na prefeitura apesar da crise

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Publicado terça-feira, 31 de maio de 2011 as 15:55, por: cdb

PT de Campinas defende manutenção de aliança na prefeitura apesar da crise

Por: Raoni Scandiuzzi, Rede Brasil Atual

Publicado em 31/05/2011, 18:40

Última atualização às 18:45

São Paulo – Em meio à crise política que ronda a prefeitura de Campinas, a 96 quilômetros da capital, o PT convive com pressões internas para deixar o governo comandado por Dr. Hélio (PDT). O presidente municipal do PT, Ari Fernandes, afirma que pretende manter a aliança enquanto durarem as investigações a respeito das denúncias de corrupção.

Na semana passada, o vice-prefeito, Demétrio Vilagra (PT), e outros 11 acusados de envolvimento em um esquema de corrupção envolvendo pagamento de propina em licitações da prefeitura. Apesar de ter atingido um expoente do partido na administração municipal, membros da direção da legenda na cidade e parte da militância desejam se desligar do governo. Eles consideram que a manutenção representaria “sujar” a imagem do partido para as eleições municipais de 2012.

Fernandes tenta colocar panos quentes e acalmar a ala mais exaltada. “Continuaremos no governo. Nossa posição é de defesa incondicional do (vice-prefeito) Demétrio Vilagra e confiança absoluta de suas posturas.” O presidente do PT em Campinas ainda alega que, até o momento, foram apresentadas apenas acusações sem provas. Ele afirma ainda que o partido quer que as apurações prossigam.

Entre os pontos a serem apurados estão menções a figuras do PSDB. O secretário estadual de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido, figura próxima ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), José Henrique Reis Lobo, ex-presidente municipal do PSDB de São Paulo, e o deputado federal Ricardo Trípoli (SP), são mencionados em gravações. Apesar disso, o Ministério Público Estadual não incluiu os tucanos na investigação.

Para este sábado (4), está marcada uma reunião com membros do diretório municipal de Campinas e militantes. No encontro, a pressão deverá ser grande em favor de um rompimento com o governo, caberá ao presidente do Partido e aos que defendem a permanência da aliança acalmar os ânimos dos insatisfeitos.

Além de contar com a vice-prefeitura, o PT possui duas secretarias no executivo (a de Transportes e a de Trabalho e Renda) e diversos cargos do segundo e terceiro escalões. Para os que preferem o afastamento do governo, convencer o grupo que trabalha na prefeitura e aqueles que almejam ocupar vagas eventualmente abertas com as investigações seria a maior dificuldade.

Há ainda aspectos formais, como a necessidade de uma votação entre os filiados do partido. “A forma estatutária para sair de um governo de coligação seria fazer um outro encontro com os militantes e dirigentes partidários”, explica Fernandes.

Outros elementos políticos estão colocados. Um deles é a boa relação do prefeito municipal, Dr. Hélio, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um eventual rompimento soaria como um abandono do PT no momento de crise. O ex-presidente possui vínculo político com o prefeito desde a campanha de 2006.

Um dos petistas com cargo no executivo, o secretário municipal de Transportes, Sérgio Torrecilo, foi procurado pela Rede Brasil Atual, mas não atendeu aos pedidos de entrevista.

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