PT aprova alianças políticas com “partidos de centro” em 2002

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 14 de dezembro de 2001 as 20:10, por: cdb

O PT aprovou hoje uma política de alianças para a eleição de 2002 “com forças políticas da esquerda e do centro” que fazem oposição ao presidente Fernando Henrique Cardoso. O acordo foi fechado no fim da tarde, depois que o grupo do deputado José Dirceu (SP) recuou e decidiu retirar do texto a menção ao PL do senador José Alencar (MG) – cotado para vice na chapa liderada pelo provável candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva. Embora a cúpula deseje o casamento com o PL, o texto que passou pelo crivo do 12.º Encontro Nacional do partido, em Olinda (PE), diz que a definição das alianças ainda será objeto de aprovação no diretório nacional.

Esta foi a forma encontrada pelos moderados para contornar as resistências à citação explícita ao PL dentro do próprio grupo light. Ainda hoje, na abertura do encontro de Olinda – marcada por gritos de “Lula presidente” e execução do Hino Nacional – um representante do PL de Pernambuco foi vaiado, enquanto um integrante do Partido Comunista Cubano era aplaudido de pé. No telão do auditório, lotado por 900 petistas, um vídeo sobre a trajetória do PT mostrou o “desmembramento” de partidos que vieram da Arena e do MDB e acabou citando o PL no rol dos que passaram pela metamorfose. “Só o PT não muda”, dizia uma voz em “off”.

Na prática, porém, o que foi aprovado significa a abertura do leque de alianças para além das fronteiras da esquerda, como Lula defende. “Se quisermos ganhar as eleições, tem de ser assim”, disse o presidente do PT, deputado José Dirceu (SP). Ele também quer abrir a discussão com “setores” do PTB e do PMDB, sem contar a aproximação com antigos aliados que hoje vivem às turras, como o PDT e o PSB. Os radicais discordam. “O PL e o PTB não têm nenhuma ligação com nosso programa, muito pelo contrário”, protestou o ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont, da facção Democracia Socialista.

No capítulo sobre o atual momento político está escrito que “com o PMDB apoiando o candidato governista abre-se uma disputa pela base oposicionista deste partido e pelo apoio de Itamar Franco (governador de Minas), que pode influir decisivamente no resultado das eleições no país”. O presidente do PSB, Miguel Arraes, não descartou a possibilidade de acordo com o PT. “Temos de acertar o alvo para tomar a Presidência da República e as rédeas do País”, argumentou.