Psicóloga diz que prevenção ajuda a coibir a exploração sexual infantil

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Publicado domingo, 20 de maio de 2007 as 14:33, por: cdb

O abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes têm conseqüências que vão além do crime praticado. O que ocorre, por exemplo, com um jovem que sofreu esse tipo de violência? Ele vai conseguir retomar uma vida normal? Que tipo de influência isso pode trazer na vida adulta dessas pessoas?

Segundo a médica e psicóloga infanto-juvenil Carmen Lucia de Deus Borges, muitas vezes, os desdobramentos desses atos podem ser irreversíveis.

– Em um primeiro momento, essas crianças ou adolescentes vão ficar mais tristes e arredias, com medo das pessoas. Também podem apresentar alguns distúrbios, como dificuldade na escola e de relacionamento.

Por se fecharem para o mundo e para as atividades que desenvolviam antes, acrescenta Lucia, alguns jovens também podem desenvolver depressão, fobias, transtorno do pânico ou mesmo distúrbios alimentares como bulimia e anorexia.

Na avaliação dela, o caminho para acabar com esse tipo de crime é a prevenção. Ela afirma que 80% dos casos de abuso sexual ocorrem dentro de casa, e a conscientização é o melhor caminho para diminuir o problema.

– Precisamos fazer trabalhos de conscientização. Na área do turismo, por exemplo, crianças não entram mais em hotéis sem a comprovação de que o acompanhante é familiar. Precisamos que ações como essa também cheguem até as famílias.

Na semana passada, o estado de Pernambuco lançou um código de conduta ética para coibir a exploração sexual infanto-juvenil. O foco de atuação será justamente o setor de turismo e o trabalho deve ser executado em várias frentes: além da rede hoteleira, com taxistas, funcionários e donos de bares e restaurantes.

No dia 3 de junho, o Ministério do Turismo começa uma campanha no Rio de Janeiro contra a prática criminosa, dirigida a turistas que chegarão à cidade para os Jogos Pan-Americanos. Serão veiculadas mensagens contra o turismo sexual em outdoors, fachadas de prédios, táxis, ônibus e bancas de jornal.

Quem deseja denunciar o crime, pode ligar para o Disque 100, um serviço oferecido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.