Protesto sindical europeu marca véspera de cimeira

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Publicado quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012 as 12:41, por: cdb

A Confederação Europeia de Sindicatos promoveu ações de protesto em vários países contra a austeridade que está a ser imposta em toda a União Europeia. Em Bruxelas, os sindicalistas consideraram “decepcionante” o encontro que tiveram com Barroso e Rompuy.Artigo |29 Fevereiro, 2012 – 19:35

Segundo Ignacio Toxo, sindicalista das Comisiones Obreras e presidente da Confederação Europeia de Sindicatos (CES), o presidente do Conselho Europeu afirmou nessa conversa que irá “continuar com estas políticas durante um tempo pensando que no futuro veremos seus benefícios”. Em resumo, os encontros não serviram “para vislumbrar se haverá um relaxamento nos critérios de estabilidade das contas públicas” fixados pela UE e cuja aplicação teria “efeitos demolidores para a economia e o emprego” em países como a Espanha, indicou Toxo, citado pela agência EFE.

Os sindicatos europeus organizaram manifestações em vários países, com a CGTP a juntar alguns milhares de pessoas no Porto e em Lisboa, a par de outras ações nas capitais de distrito. Em França, a CGT convocou 160 manifestações e na Grécia, que na terça à noite viu o parlamento votar novas medidas de austridade, os principais sindicatos convocaram paralisações parciais e uma manifestação no centro de Atenas.

O desemprego na União Europeia está perto de atingir 25 milhões de pessoas e já é o maior registo desde a fundação da UE. Os representantes dos Estados-membros vão discutir o crescimento económico nesta cimeira, mas as perspetivas de crescimento na Europa afastam-se a cada previsão que é publicada.

Para contrariar a crise e a austeridade, os sindicalistas defenderam em Bruxelas um aumento substancial do orçamento europeu, a imposição duma taxa sobre as transações financeiras para investir no crescimento e a emissão de títulos de dívida europeus (eurobonds) para acabar com a especulação das dívidas soberanas dos países com economias mais frágeis. O aumento impressionante do desemprego jovem na UE fez também surgir a reivindicação de um “plano de choque” sobre o emprego e formação para os jovens.   

O eurodeputado alemão Lothar Bisky, do GUE/NGL, encontrou-se com uma delegação de sindicalistas da CES para dizer que “é necessário reforçar o investimento, o crescimento, os rendimentos e a procura interna – na Grécia e em todo o lado”. Lothar Bisky sublinhou também que as “chamadas reformas, que são enganosas, afundaram mais profundamente a Grécia na crise; isso pode muito bem acontecer em breve noutros países, por isso devemos conter esta corrida perigosa que só poderá acabar num desmoronamento económico e social”.