Promotor é assassinado em Belo Horizonte

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Publicado sexta-feira, 25 de janeiro de 2002 as 19:07, por: cdb

O promotor Francisco José Lins do Rêgo Santos – que vinha investigando há um ano denúncias de que alguns postos estavam adulterando combustíveis – foi assassinado por volta das 14h15 desta sexta-feira nas esquinas da rua Joaquim Murtinho e avenida Prudente de Morais, no bairro Santo Antônio, região sul da cidade de Belo Horizonte. A Polícia Militar encontrou 16 cápsulas de pistola semi-automática no local, mas, segundo os primeiros indícios, 14 tiros atingiram o procurador. Segundo informações do Ministério Público Estadual, a partir dos primeiros resultados das investigações do promotor, 22 postos foram fechados na região metropolitana e oito representantes da rede varejista, incluindo proprietários e administradores dos estabelecimentos, tiveram a prisão preventiva decretada. Santos pertencia à Promotoria de Defesa do Consumidor e fazia parte do Ministério Público desde 1986.

O deputado estadual Rogério Correia (PT) informou que as primeiras provas da adulteração de combustíveis foram encaminhadas à Assembléia Legislativa pelo Sindicato dos Fiscais do Estado (Sindifisco), que também apurava indícios de sonegação de impostos pelos estabelecimentos. As denúncias foram submetidas à apuração pelo Ministério Público do Estado, que já estava cuidando do caso.

Segundo Correia, na época o Legislativo mineiro chegou a considerar a proposta de instalação de uma CPI para investigar o assunto, mas como a promotoria de Defesa do Consumidor estava avançando nas investigações, a idéia foi abandonada. A assessoria de imprensa do MPE confirmou que Francisco Lins também estava investigando a adulteração de medicamentos e conseguiu liminar que impedia a cobrança de sobretaxas e o corte no fornecimento de energia no Estado, conforme imposições do plano de racionamento. Francisco Lins era natural do Rio de Janeiro, tinha 43 anos, era casado e tinha dois filhos, um de 4 e outro de um ano.