Projeto quer aproveitar palmeira amazônica como fonte de energia

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Publicado terça-feira, 18 de novembro de 2003 as 15:15, por: cdb

A Embrapa desenvolve pesquisa no sentido de viabilizar economicamente o inajá até dezembro de 2006. Palmeira nativa da região amazônica, o inajá produz uma amêndoa semelhante ao babaçu, que pode ser utilizada como biodiesel, óleo comestível, ração animal, na produção de cosméticos e na composição de produtos farmacêuticos. Para materializar o objetivo, um projeto de caracterização, conservação e pré-melhoramento da planta entra em fase de execução em 2004, coordenado pela Embrapa Roraima, em Boa Vista (RR).

O projeto terá quatro ações básicas: diversidade genética em populações de inajá, conservação de germoplasma, caracterização de uma população natural e pré-melhoramento e caracterização do potencial agroindustrial. As ações serão desenvolvidas em rede pela unidade Roraima, pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), em Brasília, e pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), com um orçamento de R$ 631 mil, financiado pelo Projeto de Apoio ao Desenvolvimento de Tecnologia Agropecuária para o Brasil (Prodetab).

O inajá é tolerante a inundações, queimadas e a condições de baixa fertilidade do solo. Segundo o pesquisador Otoniel Ribeiro Duarte, as plantas jovens, ao serem queimadas para o cultivo de pastagens, rebrotam com vigor e as sementes, que estavam em processo de dormência, germinam rapidamente. Ele diz que “o inajá tem potencial econômico. É rico em fósforo, magnésio e ácidos graxos, podendo ser usado como ração para aves, suínos e peixes, além de fornecer o palmito, farinha e óleo para a alimentação humana e garantir matéria-prima à indústria de comésticos e de produtos farmacêuticos”.

A palmeira inajá, de porte elevado, mede de 3 a 20 metros de altura e é encontrada em florestas primárias, secundárias e em grandes áreas que passaram por um processo de queimada. A polpa dos frutos é usada pelas comunidades indígenas no preparo de alimentos. As folhas jovens são empregadas na construção de paredes e coberturas das malocas. Já o pecíolo, que é a base da estrutura de sustentação das folhas, é usado como ponta de flexa e a espata – base de sustentação dos cachos – é utilizada como assento, para transportar água e como cesto.