Projeto “Jardins do mundo” é escolhido para substituir WTC

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Publicado quinta-feira, 27 de fevereiro de 2003 as 16:35, por: cdb

O projeto “Jardins do mundo” do arquiteto Daniel Libeskind foi escolhido para ocupar o local das Torres Gêmeas do World Trade Center, anunciamram nesta quinta-feira, as autoridades de Nova York.

“É uma honra e um privilégio para mim. É também muito emocionante o pensar em toda a história deste projeto, em como surgiu e o futuro que abre”, declarou Libeskind durante um ato celebrado no Winter Garden, no complexo do World Financial Center.

“Quero agradecer especialmente o povo de Nova York, pelo extraordinário compromisso e paixão que mostraram pelo futuro desta fantástica cidade”, acrescentou o arquiteto, nascido na Polônia em 1946, e autor, entre outros projetos, do Museu Judaico de Berlim.

De acordo com o projeto vencedor, serão erguidos dois edifícios de 541 metros de altura, que seriam os mais altos no mundo, além de preservar o espaço aonde ficavam as Torres Gêmeas, conhecido como “marco zero”.

A conservação desse área como um parque público dedicado à lembrança das vítimas dos atentados de 11 de setembro é uma das características singulares do desenho.

O Consórcio de Desenvolvimento do Baixo Manhattan (LMDC, na sigla em inglês), que reúne a prefeitura, o governo do estado e as autoridades portuárias de Nova York e Nova Jersey, selecionou o projeto de Libeskind durante uma reunião realizada ontem à noite.

O desenho de Libeskind concorria com o projeto do escritório de arquitetura do grupo THINK, liderado pelo uruguaio Rafael Viñoly, que também incluía a construção de duas estruturas que seriam as mais altas do mundo e que reservava amplos espaços para atividades culturais e recreativas, além de lojas comerciais e escritórios.

Os dois projetos finalistas foram selecionados entre nove propostas que passaram por uma triagem do LMDC em dezembro passado.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, ressaltou hoje que o plano de Libeskind cumpre com os objetivos de lembrar às vítimas dos ataques terroristas, de servir como centro mundial para a cultura e o comércio e de estimular o desenvolvimento da zona sul de Manhattan, muito afetadas pela destruição do complexo.

Também ressaltou o caráter aberto do processo de seleção, no qual foi considerada a opinião dos nova-iorquinos, dos familiares das 2.800 vítimas e as necessidades de transporte e de espaço para escritórios, entre outras.

Alguns observadores nova-iorquinos e especialistas do setor imobiliário ressaltaram recentemente que o projeto de Libeskind é uma guia para a reconstrução e não deve ser considerado em sua plenitude.

Os argumentos indicam que as necessidades de infra-estrutura e de conexões para o transporte, assim como os interesses comerciais e de espaço para escritórios, além disso do aspecto emocional da área, darão lugar a numerosas negociações e compromissos que modificarão o desenho original.