Programa social não será feito com financiamento inflacionário

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Publicado sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003 as 18:58, por: cdb

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse hoje, que quando se pensou em um governo voltado para o social, muitas pessoas entenderam que isso seria feito com financiamento inflacionário, mas o Governo Lula está mostrando que não é o caso. Segundo Meirelles, a sustentabilidade nos próximos anos do superávit fiscal sempre gerou muita dúvida, mas lembrou no entanto que o fato concreto do compromisso do governo com as reformas da Previdência e fiscal afastam as pressões sobre o país. “Uma das grandes preocupações com o Brasil sempre foi com a incerteza com relação ao futuro. Na medida em que essas reformas sejam feitas, o Brasil, pela primeira vez historicamente nas ultimas décadas, vai ter condições de mostrar que tem política fiscal sólida e um governo responsável”, explicou.

Para o presidente do Banco Central, não há razão, a longo prazo, para que o risco Brasil se mantenha tão alto e o custo do dinheiro fique tão elevado. “A minha meta não é de 1000 pontos para o risco Brasil, é de 300 pontos. Não há nada que faça com que o Brasil tenha que se manter nesse nível alto de risco. Os fundamentos da economia brasileira o colocam em condições de que no futuro nós possamos ter de fato o risco Brasil caindo não de forma artificial, mas pela solidez do ajuste fiscal, do ajuste externo e da política séria do Banco Central. Além disso, o governo está comprometido também com a lei de Concordatas e Falências e com o spread bancário, que é muito alto no Brasil.”

O presidente do Banco Central observou que a manutenção da atual política econômica, e passada a preocupação de uma possível guerra no Iraque, vai permitir que os fluxos de investimentos diretos internacionais para o Brasil voltem a crescer. Henrique Meirelles informou que numa estimativa conservadora, o governo trabalha com a expectativa de investimentos externos diretos da ordem de US$ 15 bilhões para este ano.