Professores universitários ameaçam não repor aulas perdidas durante a greve

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Publicado sexta-feira, 21 de setembro de 2001 as 17:58, por: cdb

“Cada vez mais essa possibilidade é cogitada. O fracasso das últimas reuniões com o governo só nos fez pensar mais nessa possibilidade”, disse Waldyr Lins de Castro, do comando de greve da Universidade Federal Fluminense (UFF). Além da não-reposição das aulas perdidas, os grevistas também ameaçam cancelar o semestre e, por causa disso, adiar o vestibular do ano que vem.

Segundo Castro, a posição dos professores tende a ficar mais radical, já que o governo tem evitado conversar com os representantes dos grevistas. “Na última reunião com Martus Tavares (Orçamento), as lideranças foram ignoradas pelo ministro, que não quis nem ouvir o que eles tinham a dizer.” A Andes calcula que o índice de paralisação ultrapassa 90% no País todo.

Ela reivindica 75% de aumento salarial e a incorporação da Gratificação de Atividade Executiva (GAE), que corresponde a 160% do salário, e da Gratificação de Estímulo à Docência. Os grevistas pedem também a contratação de 8 mil docentes. Além dos professores, os servidores das universidades também estão em greve há cerca de dois meses. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, tem insistido que as reivindicações não podem ser atendidas, porque elas vão contra a política econômica do governo FHC. O ministro tem se recusado a receber os grevistas, ameaçado descontar os dias parados e suspender contratos temporários de professores substitutos.

José Henrique Sanglard, da Adufrj (o sindicato dos docentes da UFRJ), afirma que, se houver retaliações do governo, os professores poderão cumprir suas ameaças e cancelar o semestre. “Como o governo não negocia, há chances de a greve continuar por bastante tempo.”