Professores decidem rumo da paralisação no Paraná

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Publicado quinta-feira, 30 de abril de 2015 as 12:27, por: cdb
Os manifestantes, que saíram de várias cidades do Paraná, continuam na praça, onde planejam os próximos passos da paralisação
Os manifestantes, que saíram de várias cidades do Paraná, continuam na praça, onde planejam os próximos passos da paralisação

 

Os professores da rede estadual de ensino do Paraná devem definir se mantém ou não a paralisação e que medidas vão tomar para responsabilizar o governo do estado e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ademar Traiano (PSDB), pela ação policial, durante uma reunião que está marcada para acontecer ainda nesta quinta-feira. Nesta manhã, nenhum professor foi visto em frente à Assembleia Legislativa. Na quarta-feira, pelo menos 170 manifestantes ficaram feridos no confronto entre professores e policiais militares em Curitiba na tarde desta quarta-feira, 29 de abril, em frente à Assembleia Legislativa do Paraná, no Centro Cívico.

– Ainda estamos tentando absorver o massacre, mas também estamos nos organizando para definirmos nossas próximas ações. É um dia difícil, pois estamos atendendo a feridos, orientando os companheiros que foram detidos e atuando em várias frentes para obtermos as informações e a provas necessárias para os encaminhamentos – disse a secretária-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Paraná, Vanda do Pilar Bandeira.

Vanda disse ainda que o sindicato já está tratando do assunto com integrantes das comissões de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), com o Ministério Público e com a Defensoria Pública estaduais.

– Convidamos representantes de organizações e segmentos que defendem os direitos humanos para definirmos uma ação coletiva para denunciar e tomar as medidas judiciais cabíveis contra o governador [Beto Richa], contra o secretário de Segurança Pública [Fernando Francischini] e contra o presidente da Assembleia Legislativa – acrescentou Vanda, lamentando a postura do governador.

– Ele não assumiu seu papel de chefe da Polícia. Ele poderia ter parado com toda a violência, que foi extremamente desproporcional. Entendemos a função da polícia de proteger o patrimônio público, mas, em momento algum, ameaçamos esse patrimônio – afirmou a sindicalista.

Apesar das críticas ao governador e de tornar pública a intenção de acionar a Justiça, o sindicato diz acreditar na via da negociação para derrubar o projeto de lei que altera as normas da previdência pública estadual, aprovado pela Assembleia Legislativa em meio ao tumulto que acontecia do lado de fora, na Praça Cívica.

Confronto

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná diz que 20 policiais ficaram feridos. Os professores, em greve desde segunda-feira, protestavam contra um projeto de lei (PL) que altera a Previdência estadual. O projeto foi aprovado no início da noite, em segundo turno, pela Assembleia Legislativa do Paraná.

A confusão começou por volta das 15h, no Centro Cívico, em frente ao prédio, quando os deputados estaduais começaram a sessão. Os manifestantes, em sua maioria professores, tentaram romper o perímetro de segurança que a Polícia Militar (PM) traçou em torno da Assembleia Legislativa. Os policiais usaram bombas de gás, balas de borracha e jatos de água para dispersar os manifestantes. Os professores recuaram, mas a polícia continuou jogando bombas de efeito moral.

Os confrontos acabaram depois de uma chuva forte no local. Os manifestantes, que saíram de várias cidades do Paraná, continuam na praça, onde planejam os próximos passos da paralisação. O protesto reuniu professores dos ensinos fundamental, médio e superior. A maioria das universidades públicas do Paraná são estaduais.
Sete pessoas foram presas, segundo a Secretaria de Segurança Pública, “por envolvimento direto nos ataques aos policiais”. O governo do Paraná atribuiu o confronto a “manifestantes estranhos ao movimento dos servidores estaduais”.

Segundo a Secretaria de Segurança, será aberto Inquérito Policial Militar, com participação do Ministério Público, para apurar as ações durante o protesto. 1,6 mil policiais estavam no local.

O Sindicato dos Professores do Paraná repudiou a ação policial. O sindicato informou ainda que a greve continua.Esta terça-feira foi o terceiro dia de protesto dos professores, que entraram em greve na segunda-feira.

O Paraná Previdência é formado pelos fundos Militar, Financeiro e Previdenciário. O governo paranaense quer tirar 33 mil aposentados com mais de 73 anos do Fundo Financeiro, sustentado pelo Tesouro estadual e que está deficitário, e transferi-los para o Fundo de Previdência estadual, pago pelos servidores e pelo governo, que está superavitário. Os professores são contra o projeto porque dizem que vai prejudicar a aposentadoria dos servidores, para “salvar as contas do governo”. A categoria representa 70% do funcionalismo estadual, informou Agência Brasil.

‘LUTO’

Servidores e professores estaduais, que entraram em greve contra o projeto, fariam uma reunião pela manhã para definir os próximos passos. A ideia era fazer um ato em protesto contra a aprovação do projeto ainda nesta quinta, e estimular quem fosse solidário a vestir preto, num ato de “luto pela educação”.

Nesta manhã, um grupo de 15 estudantes de pedagogia da PUC-PR foi à praça em frente à Assembleia vestido de preto e com cartazes pedindo “luto pela democracia e pela educação”.

“A gente viu pela televisão. A vontade era chorar. Foi horrível”, diz a estudante Suelen Fabris, 27. “Ele [Richa] não teve sensibilidade. Porque a população que estava aqui faz parte de quem o elegeu”, comenta Josefa Dombroski, 41, também estudante da PUC.