Professores de 24 estados aderem à greve nacional

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Publicado quarta-feira, 14 de março de 2012 as 17:53, por: cdb

Professores de todo o país cruzaram os braços nesta quarta-feira (14), primeiro dia da greve nacional da categoria que promete paralisar atividades durante três dias pelo cumprimento da Lei do Piso Nacional do magistério, fixado neste ano em R$ 1.451, pelo MEC, para jornada de 40 horas semanais. Balanços parciais relatados por dirigentes de todo país, dão conta de que em 24 estados e no Distrito Federal houve atividades como passeatas, debates e atos públicos.

Em Pernambuco, que possui cerca de 35 mil professores e funcionários no setor, cerca de 80% das 1.109 escolas da rede estadual aderiram ao m+ovimento. Além da capital, Recife, que têm três entidades filiadas Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que coordena a paralisação, trabalhadores de Cabo de Santo Agostinho, Paulista, Ipojuca, pertencentes à da região metropolitana, também aderiram.

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 Uma passeata com cerca de dois mil participantes foi realizada durante a tarde, nas ruas do centro da capital pernambucana. Antes disso, a sede da Ordem dos Advogados do Brasil no estado (OAB-PE) promoveu um debate sobre o piso nacional.

Para contrapor as afirmações na imprensa de que a paralisação prejudicará os estudantes, Heleno Araújo, secretario de Assuntos Educacionais da CNTE, argumenta que a situação precária vivida atualmente pelos professores das redes públicas já prejudica os alunos.

“A afirmação de que a greve prejudica os estudantes é falsa. Temos uma situação de instabilidade e de baixa remuneração generalizada que já causa prejuízos. A maneira que nós temos de denunciar é a greve”, defendeu o sindicalista.

Ele avaliou que a reivindicação está sendo bem aceita entre a população, que precisa ser conscientizada sobre a situação da educação no país.

“A população recebeu bem a manifestação, encerrada na Praça da Independência, no coração de recife. O estado pratica o piso salarial, porém, com prejuízo à carreira do magistério, incorporando gratificações e reduzindo a diferença salarial entre os pisos do ensino médio e do ensino superior, que atualmente é de apenas 5%. Para se ter uma ideia como somos a categoria de nível superior que menos recebe, 30 horas semanais trabalhadas de um professor de nível superior, com doutorado, recebe R$ 1.327, cerca de R$ 200 a mais do piso do professor de nível superior sem o título de doutor”, exemplificou Heleno Araújo, secretario de Assuntos Educacionais da CNTE. A entidade defende que a diferença entre os pisos deve ser de, no mínimo, 50%.

O dirigente sindical explicou ao Vermelho que o foco da campanha sobre o piso nacional também traz à tona outros problemas enfrentados pela categoria que acarretam no sucateamento da carreira.

“Enquanto os governos continuarem condicionando a valorização do professor ao Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), com premiação e exoneração dos profissionais, será mantido o clima de tensão dentro das escolas. Faltam professores de determinadas disciplinas e as contratações de temporários a cada ano aumentam. Só em 2011, foram 18 mil contratados temporariamente, no estado”, explicou Heleno Araújo.

“Os concursados não são chamados e há previsão de que 5.800 professores estão aptos a aposentar neste momento. Quer dizer, tende a piorar”, apontou Heleno.

Segundo ele, faltam profissionais competentes para dar aulas de Educação Física, Biologia, Química e Língua Estrangeira. “Mutos que não são especialistas nessas áreas acabam assumindo aulas por pressão”, completou o dirigente.

São Paulo

Os professores de escolas públicas do estado de São Paulo paralisaram atividades para reivindicar a destinação de um terço da jornada de trabalho a atividades extraclasse, regra prevista na lei que criou o piso salarial da categoria. Segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), no período da manhã, cerca de um terço dos professores da rede pública paulista aderiu ao movimento.

Outra exigência da categoria é que o Plano Nacional de Educação para a década 2011-2020 preveja 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a área e não 8% como o atual projeto no Senado.

Uma assembleia geral está marcada para sexta-feria (16), às 14h, em frente ao Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi. Os trabalhadores esperam até lá receber alguma proposta do estado. Caso contrário, a manutenção da paralisação será votada.

De São Paulo
Deborah Moreira, com sindicatos

 

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