Produto Interno Bruto mais forte faz mercado melhorar previsão de 2009

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Publicado domingo, 13 de setembro de 2009 as 11:56, por: cdb

Uma contribuição do setor externo mais significativa que o esperado e a melhora da indústria ajudaram a economia brasileira a superar a recessão técnica no segundo trimestre e devem levar o mercado a melhorar as estimativas para 2009.

A força do consumo e da indústria não chegou a surpreender, mas ressaltou que a retomada será sólida e compensou a fraqueza dos investimentos. Esse quadro deve ser mantido nos próximos trimestres, mas a taxa de crescimento pode ser menor, já que a base de comparação começa a ficar mais forte.

O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,9% no segundo trimestre sobre o primeiro, ante previsão mediana de analistas consultados pela Reuters de 1,6%. As estimativas variavam de 0,7 a 2,2%.

Sobre igual período de 2008, houve queda de 1,2%, contra prognóstico de recuo de 1,5%.

– Essa recuperação na margem mais forte que o esperado significa que o PIB pode ficar mais perto de zero em 2009, talvez até positivo, que é o cenário com o qual a gente já vem trabalhando, com expansão de 0,2 no ano – disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

Na pesquisa da Reuters, das 16 projeções colhidas para 2009, apenas três eram de crescimento, com a mediana apontando retração de 0,5%. Após a divulgação do PIB, dos mais pessimistas alguns já começaram a rever seus cenários.

Alexandre Lintz, estrategista-chefe no Brasil do BNP Paribas, mudou seu prognóstico de queda de 0,9% para baixa de 0,2%.

Bernardo Wjuniski, economista da Tendências Consultoria, já sabe que vai mudar, mas não sabe para quanto, não descartando a possibilidade de um crescimento.

– O dado de hoje tem um viés bem positivo. Vamos revisar para cima nossa projeção para o ano, na semana que vem – disse. 

A estimativa atual dele é de retração de 0,6%. Ele acredita que os prognósticos do relatório Focus podem melhorar também, mas pouco, pois já está havendo melhora há algum tempo. Nesta semana, o Focus mostrou que o mercado projeta retração de 0,16%.

Força Interna

Apesar de a surpresa do segundo trimestre ter vindo sobretudo do setor externo –as exportações cresceram 14,1% sobre o primeiro trimestre e as importações avançaram 1,5%–, o otimismo com o ano baseia-se no mercado doméstico.

– A parte de serviços vem sustentando bem o crescimento. A parte de consumo das famílias vem crescendo forte, em função da massa salarial crescendo – afirmou Flávio Serrano, economista sênior do Bes Investimentos.

O impulso vem da melhora do crédito, da melhora do emprego e da continuidade da expansão da massa salarial, que não chegou a ser afetada significativamente pela crise. Serrano acredita que no terceiro trimestre poderá apresentar expansão em torno de 1,5% sobre o terceiro.

Outra força veio da indústria, que cresceu 2,1%  trimestre a trimestre, após dois trimestres de queda.