Produtividade industrial cresceu 1,7% em 2002

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Publicado domingo, 16 de fevereiro de 2003 as 16:08, por: cdb

A indústria brasileira voltou a ter ganhos de produtividade no ano passado, depois de uma estagnação em 2001. A produtividade do trabalho nas fábricas cresceu 1,7% em 2002, de acordo com levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Para este ano, a previsão é de um novo crescimento, de 2%. Embora a sinalização seja positiva, a questão é que esses resultados têm sido alcançados principalmente à custa de corte de funcionários e aumento da carga de trabalho sobre quem continuou empregado.

Agora, o desafio é o País criar condições para que as empresas invistam pesado em inovação tecnológica, de forma a garantir um salto na produtividade com criação de postos de trabalho.

“Os ganhos de produtividade caíram para zero em 2001, por causa das expectativas negativas desencadeadas pelo racionamento de energia, que afetaram os projetos de investimentos. Em 2002, quando se pensava que haveria uma recuperação, a economia voltou a ser afetada por uma nova crise, provocada pela indefinição eleitoral”, afirma o coordenador da Unidade de Economia e Estatística da CNI, Renato Fonseca.

A forte desvalorização do real em relação ao dólar, destaca Fonseca, foi outro fator que afetou a disposição das empresas em melhorarem seu desempenho. Com importações mais caras, as companhias brasileiras foram menos pressionadas pela competição dos artigos estrangeiros.

No ano passado, a produção da indústria de transformação cresceu 1,5%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já o número de trabalhadores ocupados no setor apresentou queda de 0,12%, conforme a CNI. Com base no desempenho desses dois indicadores, a CNI estima que a produtividade na indústria cresceu 1,7%. Para este ano, a previsão do economista da CNI é de que a produção industrial cresça 2% e o emprego fique estável. “Com isso, vamos voltar a ter um ganho marginal de produtividade, na faixa de 2%, como no ano passado.”

Sobrevivência
Na década de 90, marcada pela abertura do mercado aos produtos importados, as indústrias se viram obrigadas a investir em produtividade para sobreviver à concorrência estrangeira. Na avaliação da CNI, o ganho de produtividade chegou a 60% nesse período. “A indústria brasileira ganhou competitividade e conseguiu se aproximar dos resultados de produtividade dos principais concorrentes. Para não voltar a perder terreno, temos de fazer como os estrangeiros: investir pesado em inovação tecnológica.”

A decisão de investir em novas tecnologias não é simples. Além de juros mais baixos do que os atuais, os empresários alegam que é necessário ter um quadro mais claro do futuro da economia antes de desembolsar grandes cifras em projetos de longa maturação e de risco maior. “Hoje, o caminho mais barato para obter ganhos de produtividade ainda é o aperfeiçoamento dos processos de produção”, diz o diretor industrial da BSH Continental Eletrodomésticos, Valter Santos. Segundo ele, a empresa não tem planos de investir em inovação tecnológica neste ano, por causa das incertezas com relação ao crescimento econômico. Já no aperfeiçoamento dos processos de produção, a BSH pretende investir R$ 20 milhões neste ano, ante R$ 17 milhões em 2002. Com isso, a meta da companhia é dobrar o ganho anual de produtividade, chegando a uma taxa de 6%.

Há alguns anos, o cenário era bem mais favorável aos investimentos em novas tecnologias. A General Motors do Brasil (GMB), por exemplo, investiu cerca de US$ 600 milhões na construção de uma fábrica em Gravataí (RS), que é considerada a mais moderna do grupo em todo mundo. Inaugurada em meados de 2000, a nova unidade é especializada na fabricação do Celta. Ela tem capacidade para produzir 120 mil veículos por ano e está bem próxima desse limite. Cada trabalhador produz o equivalente a 70 carros por ano, bem acima da média do setor e das demais fábricas da GM no País, que está em torno de 40 veículos.

No setor de autopeças, a concorrência acirrada e a maior demanda por