Produção de transgênicos é mantida pelos gaúchos

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Publicado sábado, 29 de março de 2003 as 10:17, por: cdb

Os produtores gaúchos estão dispostos a seguir plantando soja transgênica, mesmo que a Medida Provisória 113 tenha proibido o cultivo a partir da próxima safra.

O precedente está criado, de acordo com um grande plantador da região de Passo Fundo, referindo-se à autorização dada pelo governo federal para a comercialização da safra que começou a ser colhida nesta semana no Estado.

“Depois da abertura da comporta não há mais como segurar a corrente”. Em Júlio de Castilhos, o agrônomo Cesar Antonio Carlotto tem a mesma percepção. “Ninguém quer retroceder”, constatou, depois de falar com diversos agricultores.

A Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul acredita que a próxima safra terá transgênicos não por decisão unilateral dos produtores, mas porque o cultivo estará regulamentado até lá. “Não há como fugir do avanço da tecnologia”, justifica o coordenador da comissão de grãos da entidade, Jorge Rodrigues.

A expectativa dos agricultores é de que o julgamento de um recurso da Monsanto e do governo federal contra uma liminar que proíbe o cultivo, adiado até o dia 15, se torne o primeiro nó desatado do emaranhado jurídico que envolve a questão. Depois, é possível que os produtores passem a pressionar o Congresso para aprovar leis que estabeleçam a rotulagem. “Queremos regras claras para o plantio, pesquisa e comercialização”, adianta Rodrigues.

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag/RS), representante dos pequenos produtores, até admite a volta à soja convencional, desde que os argumentos sejam convincentes. “Se o governo não quer mais transgênicos, deve explicar os motivos”, afirma o diretor-tesoureiro da entidade, Amauri Miotto, que não cultivou organismos geneticamente modificados neste ano em sua lavoura.

Os defensores da soja transgênica recorreram a explicações financeiras e ambientais para defender a manutenção do cultivo. É argumento corrente entre os produtores gaúchos a redução de 30% nos custos. “Os agricultores só conseguiram pôr em dia suas dívidas com os bancos cultivando soja transgênica”, conta Carlotto.