Problemas no Iraque devem dominar conferência do partido de Blair

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Publicado segunda-feira, 27 de setembro de 2004 as 09:38, por: cdb

O Iraque e o destino de um britânico sequestrado no país ameaçam abalar os esforços do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, de colocar as questões de política interna sob os holofotes.

O ministro das Finanças britânico, Gordon Brown, em um importante discurso a ser proferido nesta segunda-feira durante o encontro anual do Partido Trabalhista, de Blair, pedirá que a legenda coloque a economia no centro de sua campanha para as próximas eleições, previstas para maio de 2005.

Brown, visto como potencial candidato dos trabalhistas ao cargo de primeiro-ministro, será observado de perto. Muitos procurarão no discurso dele sinais de uma desavença com Blair.
Mas, a respeito do Iraque, o assunto mais proeminente do governo atual, Brown prometerá solidariedade.

A guerra dividiu os trabalhistas e fez despencarem os índices de popularidade de Blair.
O premiê esperava usar a conferência para dar destaque às questões de política interna. Mas o sequestro, no Iraque, de Kenneth Bigley, 62, fez ressurgirem os sentimentos de oposição à guerra, mantendo-a no centro das discussões.

– Nossos pensamentos estão com Ken Bigley e com a família Bigley. Acho que Tony Blair precisa de nosso apoio e terá todo o nosso apoio nos tempos difíceis envolvendo o Iraque – afirmou Brown em uma entrevista concedida à TV nesta segunda-feira.

Os sequestradores de Bigley ameaçam decapitá-lo.

O premiê, que se recusou a pedir desculpas por ter dado apoio à invasão do Iraque, liderada pelos EUA, depara-se agora com um debate potencialmente complicado para ele. O debate, a ser travado entre os trabalhistas, acontece no último dia da conferência, na quinta-feira.

Membros do partido contrários à guerra prometem chamar atenção para o assunto.
Pesquisas de opinião mostram que os trabalhistas devem vencer as eleições pela terceira vez consecutiva, mas a guerra contra o Iraque e a decepção com o governo podem diminuir a grande bancada do partido no Parlamento.