Problemas da América Latina pode agravar com guerra no Iraque

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Publicado domingo, 9 de março de 2003 as 19:44, por: cdb

Uma possível guerra contra o Iraque agravaria ainda mais os graves problemas econômicos, políticos e sociais da América Latina, na opinião de políticos e especialistas da região.

As principais repercussões serão decorrentes não só da alta do preço do petróleo e da queda dos investimentos e do turismo, como também da posição que a região passará a ocupar na lista das prioridades geopolíticas dos Estados Unidos.

“Certamente, o que acontecer lá fora vai nos afetar de qualquer maneira”, disse na semana passada o presidente do México, Vicente Fox, quando pediu “unidade” a seus compatriotas ante as ameaças “externas”, que muitos associam aos EUA.

O México, assim como o Chile, são os únicos países latino-americanos membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Por essa razão, supõe-se que as diferentes tendências contra ou a favor a uma guerra no Iraque geraram pressões na busca por seus votos, apesar de ambas as nações terem negado isso reiteradamente.

A este respeito, o pesquisador titular do Centro Norte-Sul da Universidade de Miami (UM), Max Castro, disse que o Chile e o México poderiam sofrer um custo político adicional caso os Estados Unidos decidam tomar alguma represália.

“Por exemplo, se se tratasse do Chile, a implementação do tratado de livre comércio com os EUA poderia ser atrasada. Se a situação se apresentar com o México, os acordos migratórios poderiam ser enfraquecidos”, disse Castro.

Apesar disso, a maioria dos mexicanos apóia a postura conciliadora de seu governo, mesmo conscientes de que um possível esfriamento nas relações com os EUA, destino de 90 por cento das exportações do país, representaria perdas multimilionárias para a balança comercial mexicana.

No entanto, o ministro chileno de Economia, Jorge Rodríguez, descartou a hipótese de que uma guerra irá causar a falta de diversos produtos, já que a economia funciona de forma “completamente” normal.

O chileno acrescentou que, mesmo se as exportações forem afetadas pelo período de um ano, o país tem reservas internacionais para resistir a este descréscimo e que, ainda que os preços do dólar e do petróleo sofrem logo nos primeiros dias “um aumento forte, a situação se normalizará” em seguida.

Por sua vez, o presidente cubano, Fidel Castro, disse na última quinta-feira (6) na Assembléia Nacional de seu país apenas “os produtores de armas ganhariam” com uma guerra no Iraque.

O líder revolucionário advertiu que a economia mundial, “submetida a uma profunda crise, da qual não pôde recuperar-se, sofrerá inevitáveis conseqüências e não haverá depois segurança nem tranqüilidade para nenhum país do planeta”.

Enquanto isso, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o uruguaio Enrique Iglesias, afirmou em Honduras que “o melhor seria que não houvesse o conflito”.

Iglesia disse que a guerra já teve implicações “em matéria de investimentos, de fluxo de recursos”, assim como nas viagens internacionais, o que afeta o turismo, de modo que, em termos gerais, já estamos sentindo algumas implicações”.

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, alertou que um conflito no Pérsico poderia fazer o preço do barril de petróleo diparar para 50 dólares.

Em um pronunciamento no Senado brasileiro, Amorim disse que “por mais curta que seja uma guerra no Iraque, será enorme o impacto para todos os países que dependem dos capitais estrangeiros”.

Por sua vez, o professor de Ciências Econômicas da Universidade Internacional da Flórida, Manuel Carvajal, explicou que um enfrentamento com o Iraque causaria impacto sobre a ajuda exterior americana, o que reduziria os recursos financeiros para a região.

“A América Latina ficou totalmente atrás no âmbito de prioridades da presente administração (de George W.) Bush e isso é extremamente sério, porque estamos nos ocupando com locais distantes, enquanto que, em nosso próprio quintal, estão sendo criados todos os tipos de situações problemá