Prisão de mulher frustra atentado ao prédio da Bovespa

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 22 de outubro de 2002 as 01:48, por: cdb

Forças policiais interromperam o tráfego na Rodovia Anhangüera, nos dois sentidos, na região de Campinas, onde foi descoberto e isolado um carro repleto de explosivos que, segundo autoridades, seriam usados em atentado contra o prédio da Bovespa, a Bolsa de Valores de São Paulo.

O diretor do Deic, o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado, Godofredo Bittencourt, disse que os explosivos tinham poder para causar danos irreversíveis ao prédio e matar pessoas em um raio de 20 metros.

Os explosivos, 23 bisnagas de dinamite usada em pedreiras, foram detonados por uma unidade especial da polícia.

Integrantes do Grupo Especial de Resgate da Polícia Civil e do Grupo de Ações Táticas da Polícia Militar de Campinas isolaram inteiramente a área, na altura do quilômetro 92, onde foi abandonado o carro cinza, da marca Gol, com uma mala contendo a dinamite.

As autoridades chegaram ao veículo depois de receber uma denúncia anônima, feita ao Departamento de Investigações Contra o Crime Organizado (Deic).

O proprietário do veículo foi localizado e disse à polícia que ladrões o haviam rendido em Campinas, na noite passada, e levado seu carro.

Os policiais promoveram duas explosões, a primeira para abrir o porta-mala do Gol, e a segunda para detonar as bisnagas de dinamite. A medida, segundo fontes policiais, foi tomada preventivamente, diante do temor de que pudesse haver alguma armadilha conectada à dinamite.

O automóvel, que também continha roupas, foi levado para investigações mais detalhadas.

Em entrevista coletiva à imprensa, o diretor do Deic, Godofredo Bittencourt, disse que a prisão da mulher de um líder de uma facção criminosa que atua nos presídios de São Paulo, Petronilha Maria de Carvalho Felício, abortou o plano, levando os criminosos a abandonar os explosivos na Via Anhangüera.

O diretor Deic acrescentou que Petronilha foi presa depois de ter visitado o marido, José Márcio Felício, no presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes.

Petronilha agia como intermediária na transmissão de instruções de seu marido a outros detentos. Suas ações já estavam sendo rastreada pela polícia, que usou grampo telefônico.

Segundo ainda o diretor do Deic, o atentado seria promovido para dar demonstração de força do grupo liderado pelo marido de Petronilha que estava insatisfeito pelo regime diferenciado a que foi submetido na penitenciária, onde o uso de celulares está bloqueado.