Primeiro-ministro paquistanês convida Vajpayee para falar de paz

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Publicado segunda-feira, 28 de abril de 2003 as 17:25, por: cdb

O primeiro-ministro do Paquistão, Mir Zafarullah Jan Jamali, ligou nesta segunda-feira, para seu colega da Índia, Atal Behari Vajpayee, para lhe propor uma imediata abertura de negociações para solucionar todos os problemas entre os dois países, informou a televisão estatal.

Em sua ligação, Jamali se mostrou disposto a viajar para a Índia “por causa da paz” e se para reunir com Vajpayee, que no último dia 18 de abril fez uma primeira oferta de negociação ao Governo paquistanês.

Nos últimos dias, Vajpayee reiterou sua proposta e até o próprio presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, se mostrou disposto “a resolver todas as diferenças com a Índia pacificamente”.

Os Estados Unidos e o Reino Unido, além da União Européia, pressionam a Índia e o Paquistão para que regulem suas diferenças, mediante o perigo que suporia uma possível nova guerra entre as duas potências nucleares do sul da Ásia.

Jamali já tinha respondido publicamente Vajpayee ao aceitar sua proposta de negociação, embora sem renunciar seus “princípios” sobre a questão de Caxemira.

O Paquistão defende o direito de autodeterminação da área da região fronteiriça da Caxemira controlada pela Índia, onde 90% da população é muçulmana.

A Índia acusa o Paquistão de fornecer armas, treino e refúgio aos grupos guerrilheiros e terroristas muçulmanos que atuam na região de Caxemira sob controle paquistanês.

Islamabad nega, embora respalde seu direito a autodeterminação, reunidos em uma resolução da ONU.

Nos últimos dez dias, cerca de noventa pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas em atentados e enfrentamentos armados na região de Caxemira sob controle índio, onde os grupos muçulmanos rejeitam uma negociação de paz entre Nova Délhi e Islamabad e exigem que seja em três partes, com sua participação.

Desde que se tornaram independentes do Reino Unido há 56 anos, os dois países já entraram em guerra três vezes, duas delas por Caxemira, e no verão passado estiveram a ponto de começar a quarta guerra pelo mesmo conflito.