Primeiro-ministro palestino vai à Cidade de Gaza negociar cessar-fogo

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Publicado segunda-feira, 16 de junho de 2003 as 15:03, por: cdb

O primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas – mais conhecido como Abu Mazen – chegou nesta segunda-feira à Cidade de Gaza para negociações com grupos militantes.

O encontro, o primeiro desde a cúpula de paz que ocorreu no início do mês, tem o objetivo de convencer os militantes palestinos a aceitarem um cessar-fogo com Israel, depois de uma semana de violência que matou 60 pessoas dos dois lados do conflito.

As negociações entre representantes do governo egípcio e de grupos palestinos, que tinham o mesmo objetivo, terminaram também nesta-segunda feira sem avanços.

Os egípcios tentavam convencer os líderes de grupos palestinos a aceitarem um cessar-fogo com Israel. Representantes de 13 grupos, incluindo o Hamas, Jihad Islâmica e Fatah participaram do encontro, na Cidade de Gaza.

Condições

De acordo com o representante da Jihad Islâmica, Sheikh Abdalla Al-Shami, os grupos palestinos reafirmaram “a necessidade de destacar a ocupação (israelense) e o compromisso do povo palestino com a opção da resistência”.

O ministro das Relações Exteriores palestino, Nabil Shaath, disse que não espera a resposta do Hamas – apontado por Israel e pelos Estados Unidos como o grupo mais perigoso – até a próxima terça-feira.

– Nós certamente não queremos discutir nada agora que possa afetar negativamente nosso esforço – disse Shaath, após um encontro com ministros das Relações Exteriores da União Européia, em Luxemburgo.

Um dos líderes do Hamas Ismail Abu Shanab disse que o grupo quer “continuar na resistência”.

Mas o fundador e líder espiritual do grupo, Sheikh Ahmed Yassin, afirmou que o Hamas ainda está preparando sua resposta ao encontro.

O Egito vem sugerindo o cessar-fogo de grupos palestinos em troca do fim da prática israelense de assassinar suspeitos militantes e atacar suas casas, como aconteceu na semana passada, com uma série de ataques a integrantes do Hamas.

Ataques

Tanto o Hamas quanto a Jihad Islâmica teriam indicado que podem suspender os ataques suicidas se Israel acabar com este tipo de prática.

– Sempre foi nossa posição e a do Hamas manter civis fora da guerra se Israel parar com suas incursões e assassinatos – disse Mohammad Al-Hindi, da Jihad Islâmica.

Mas ele afirmou que os grupos continuam defendendo seu direito de atacar colonos judeus e soldados israelenses, uma posição que o governo de Israel não aceita.

O ministro das Relações Exteriores israelense, Silvan Shalom, disse que se houver qualquer cessar-fogo, terá que ser permanente para que os palestinos não possam “retomar a violência depois de aproveitar a trégua para reconstruir suas forças”.

O governo israelense também defendeu sua posição de assassinar membros do Hamas, que chamou de “bombas relógio”.

Para um correspondente em Jerusalém, a retirada de Israel da Faixa de Gaza – uma das condições previstas no plano de paz, aceito por palestinos e israelenses – não deve acontecer se não houver um cessar-fogo.