Primeiro-ministro italiano nega acusação de corrupção em tribunal

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Publicado segunda-feira, 5 de maio de 2003 as 09:13, por: cdb

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, rejeitou as acusações de corrupção em depoimento a um tribunal italiano. Ele disse que agiu segundo o interesse público durante uma privatização em 1985.

Magnata da mídia, Berlusconi está sendo processado sob a acusação de ter corrompido juízes para conseguir o controle sobre a antiga empresa estatal de alimentos SME.

O premiê italiano disse que só fez uma oferta para comprar a empresa a pedido do então primeiro-ministro Bettino Craxi. “Eu não tinha interesse direto e Craxi implorou para que eu interviesse porque ele acreditava que a operação poderia lesar o Estado.”

De acordo com Berlusconi, o preço para a venda da empresa estava muito baixo. Foi a primeira vez que um premiê italiano compareceu ao seu próprio julgamento.

Perseguição

O veredicto deve sair até setembro deste ano. Berlusconi diz que está sendo perseguido politicamente por juízes de Milão, mas afimou que, mesmo assim, pretende convocar eleições se for condenado.

Sua condenação causaria embaraço para a Itália, que deve assumir a Presidência da União Européia.

Berlusconi chegou a acusar o presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi, de ter concordado em vender a SME por menos do que ela valia. Prodi era na época presidente da holding estatal que vendeu a SME.

Questionado sobre as acusações de Berlusconi, Prodi disse que “não estava preocupado”.

Imunidade

O presidente do Senado italiano, Marcello Pera, pediu que sejam adotadas medidas urgentes para garantir a imunidade de Berlusconi.

Ele apelou para que o julgamento seja suspenso até que Berlulsconi deixe o cargo de primeiro-ministro.

Na semana passada, um amigo pessoal e ex-advogado de Berlusconi, Cesare Previti, foi condenado a 11 anos de prisão por corromper juízes em dois casos semelhantes. Previti também é réu no caso da privatização da SME.

Bersluconi disse que a condenação de Previti foi um “ataque às forças políticas eleitas para governar e modernizar a Itália”.

Os juízes respondem dizendo que os “veredictos devem ser respeitados” e que Berlusconi quer desacreditar o Judiciário.

Os políticos italianos tinham imunidade contra processos na Justiça até 1993, quando foram descobertos megaescândalos de corrupção.

Bettino Craxi foi uma das vítimas da descoberta desses escândalos e morreu fugindo da Justiça italiana no exterior no ano 2000.