Primeiro disco de Maria Rita chega às lojas

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Publicado quarta-feira, 10 de setembro de 2003 as 05:19, por: cdb

Maria Rita Mariano fez 26 anos na última terça-feira. Seu primeiro disco chegou às lojas – por vontade dela – no mesmo dia. Chama-se Maria Rita (selo Warner), como ela agora passa a ser chamada.
 
Filha de Elis Regina e de César Camargo Mariano, teve outras experiências em discos. Projetos alheios: cantou no CD ‘Meia-Noite, Meio-Dia’, do compositor Chico Pinheiro, e no ‘Pietá’, de Milton Nascimento, ambos lançados neste ano.

Foi cantando as músicas do paulistano Chico Pinheiro que ela fez a estréia profissional, no palco do Supremo Musical, no primeiro semestre do ano passado.

Seria uma temporada curta. Estendeu-se por meses, com gente voltando da porta todas as noites, ingressos vendidos com enorme antecedência. Havia a bela música do compositor. Havia a curiosidade em saber como cantaria aquela moça, filha de quem é.

O impacto era enorme. Aquela moça parecia muito com Elis. O timbre, uns gestos, uns olhares, um balanço de corpo. Nas não era uma cópia de Elis. ‘Carga genética’, diz ela. Maria Rita levou muito tempo ponderando sobre essas coisas. As cobranças que sabia que viriam. As comparações, a expectativa.

Maria Rita podia entrar em cena com a pompa e circunstância que desejasse. Preferiu dar a partida como convidada de Chico Pinheiro.
 
Em seguida, montou o seu espetáculo solo, que estreou em fevereiro. O repertório foi escolhido para entrar no disco que ela iria gravar em seguida. Começou a selecionar as canções em novembro e seguiu acrescentando ou eliminando números ao longo da temporada.

A maior parte das canções do show está no CD ‘Maria Rita’. As regravações são mais numerosas do que as inéditas.

– Senti inescapável necessidade de me pôr para fora. Curiosidade de ver como eu cantaria as músicas que escolhesse, coisa minha, não projeto de outras pessoas, por melhores que fossem – disse a cantora.
As músicas do CD foram escolhidas com base no repertório do show, por ela (que é co-produtora do trabalho) e pelo produtor Tom Capone. 

Escolheu músicas que foram sucesso em outras vozes, ‘Agora só Falta Você’, de Rita Lee, ‘Veja Bem Meu Bem’, de Marcelo Camelo, do Los Hermanos, ‘Encontros e Despedidas’, de Milton Nascimento.

– Fui guiada por minha preocupação em ser intérprete. Se gravasse um disco só de inéditas, eu não daria um padrão para o público, uma possibilidade de comparação. Porque quando você canta alguma coisa já conhecida, ou você imprime a sua marca, e cria uma identidade, ou não cria, e eu queria criar – contou Maria Rita.

– Quando canto ‘Agora só Falta Você’, sou eu colocada ali. E em cada uma das faixas – o disco tem política, dor, amor, alegria, deboche, tudo o que faz a Maria Rita, não apenas e simplesmente a cantora, mas a mulher que anda na cidade, acorda, toma café, quando dá tempo, tem obrigações e responsabilidades – acrescentou.

Marcelo Camelo assina outras duas músicas, essas inéditas. O mineiro Renato Motha, mais uma; Cláudio Lins, filho de Ivan e Lucinha Lins, a faixa que encerra o disco, ‘Cupido’.
 
São 13 canções, mas o disco tem uma faixa interativa que dá acesso a um site do qual podem ser baixadas no computador e gravadas em CD-R mais duas músicas: a linda toada ‘Vero’, de Natan Marques e Murilo Antunes, e a balada ‘Estrela, Estrela’, de Vítor Ramil, com a qual Gal Costa fez sucesso nos anos 80.

Maria Rita faz shows de lançamento do disco no dia 15, no Canecão, no Rio, e no 17, no DirectTV Music Hall, em São Paulo. Uma espécie de prévia da temporada que terá início um mês depois, no Rio.
 
– Depois volto para São Paulo e de cá para todo o País, espero, se quiserem, se der – disse.

Ela sabe que vão querer. Maria Rita cantará acompanhada por Marco da Costa (bateria), Tiago Costa (piano e teclados), Silvinho Mazzuca (contrabaixo) e DaLua (percussão).