Previsão para crescimento econômico deste ano tem forte queda

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Publicado segunda-feira, 8 de setembro de 2003 as 10:31, por: cdb

O mercado reduziu fortemente sua projeção para o crescimento econômico brasileiro este ano, após o País entrar em recessão no primeiro semestre. As projeções para a inflação também caíram, pela 14ª semana seguida.

Segundo o Boletim Focus, pesquisa mensal realizada pelo Banco Central (BC) junto às instituições financeiras, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano caiu de 1,20% na semana passada — dado revisado em relação à leitura anteriormente divulgada de 1,36% — para 1,03%.

O mercado também revisou para baixo, ainda que levemente, seu prognóstico para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano, de 9,57% para 9,55%. Para setembro, o mercado vê uma inflação de 0,57%, taxa superior à de 0,50% prevista no relatório anterior.

A política monetária apertada aplicada pelo governo desde o final do ano passado é a responsável pelas melhores perspectivas inflacionárias, mas também pela previsão de uma performance econômica inferior à de 2002, quando a economia cresceu 1,5%.

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, é mais otimista e prevê uma expansão de 1,5%. Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento, reduziu na semana passada sua projeção de 1,6% para 0,5%.

A economia brasileira contraiu-se nos dois primeiros trimestres desse ano, em relação ao período anterior, o que é classificado por muitos economistas como recessão técnica.

A pesquisa mostrou ainda que as projeções para o IPCA em 2004 foram mantidas em 6,2% e as para os próximos 12 meses ficaram estáveis em 6,25%. Para outubro, os prognósticos voltaram a ser reduzidos, também apenas levemente, de 0,35% para 0,34%. Para agosto, as previsões também caíram, de 0,35% para 0,34%. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o IPCA de agosto nesta terça-feira.

E pela primeira vez em mais de 14 semanas consecutivas de queda, o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) e o Índice de Preços ao Consumidor da Fipe (IPC-Fipe) reverteram a tendência de queda. Agora apontam tendência de alta para o final de 2003, subindo de 8,40% para 8,48%, e 8,20% para 8,22%, respectivamente. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) ficou estacionado em 7,67%, depois de ser o primeiro a cair da barreira dos 8%.

Na análise de 12 meses, o IPC-Fipe é o único que apresenta alta, passando de 6,38% para 6,43%. Os outros índices mantêm-se iguais à perspectiva da semana passada. O IPCA fica em 6,25%, o IGP-DI e o IGP-M em 6,80%.

Também apresentam projeção de alta os preços monitorados ou administrados pelo governo: de 13% na semana passada para 13,28% nesta última pesquisa.