Presos fazem pagode na cadeia zombando da Polícia carioca

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Publicado quarta-feira, 25 de setembro de 2002 as 00:55, por: cdb

O Batalhão de Choque da Polícia Militar do Rio de Janeiro, para onde foram transferidos alguns dos mais perigosos bandidos e traficantes que estavam confinados no presídio de Bangu I, parcialmente destruído após uma sangrenta rebelião, viveu uma cena inusitada nesta terça-feira: pagode dentro da cela.

Apesar do rigor prometido pelas autoridades, dois dos seis traficantes detidos no batalhão foram flagrados pelas lentes de fotógrafos e cinegrafistas promovendo o pagode. Os presos conhecidos como My Thor e Gigante dançaram e tocaram instrumentos.

Quando perceberam que estavam sendo observados, My Thor e Gigante ainda pegaram dois copos e fizeram um brinde, em tom de deboche.

Entre os detidos no Batalhão de Choque estão Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, acusado de ter assassinado o jornalista da Rede Globo Tim Lopes.

Nenhuma autoridade de segurança se pronunciou ainda sobre o episódio.

O comandante da PM, coronel Francisco Braz, comentou que o banho de sol e as visitas de parentes estão proibidos a esses presos.

“Apenas os advogados poderão visitar seus clientes, mas com tempo determinado”, disse.

Braz confirmou ainda que o muro lateral do batalhão de choque da PM foi pichado na segunda-feira com as iniciais T.C., da facção criminosa Terceiro Comando, grupo inimigo dos seis traficantes que estão temporariamente presos no quartel, pertencentes ao Comando Vermelho.

“A pichação tanto pode ter sido feita por um gaiato em uma brincadeira de mau gosto ou por alguém realmente mal-intencionado. Dentro da unidade há vigilância exemplar”, disse o coronel.