Presidentes do Senado e da Câmara criticam Chávez

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 1 de junho de 2007 as 13:14, por: cdb

Os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), repudiaram nesta sexta-feira as declarações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de que o Congresso brasileiro é “papagaio” dos EUA.

“Um chefe de estado que não sabe conviver com manifestações democráticas como a do Senado é porque, provavelmente, está na contramão da democracia”, afirmou Renan.

“Não cabe a ele (Chávez) fazer esse julgamento. O Congresso brasileiro foi eleito pelo povo e deve prestar contas ao povo”, disse Chinaglia. “Chávez erra gravemente ao atribuir ao Congresso uma subordinação que não existe (aos EUA) por um outro poder, nem por qualquer poder estrangeiro”, ressaltou Chinaglia.

Chávez criticou o Senado por ter aprovado requerimento contém moção contra o fechamento da RCTV pelo governo venezuelano. A moção havia sido aprovada por 15 senadores governistas e da oposição, que “se manifestaram contrários à decisão” de Chávez. Para Chávez, o Congresso brasileiro “repete como um papagaio” o que diz o Congresso americano em relação à situação venezuelana.

Renan, que apareceu no Senado nesta sexta somente para rebater Chávez, afirmou ainda que a Casa não vai se manifestar oficialmente sobre as declarações do venezuelano. “Não haverá resposta oficial porque é papel do Senado reagir com indignação toda vez que em qualquer fronteira em que os valores democráticos forem abalados”, disse.

A declaração do presidente Venezuelano foi recebida com desagrado pelo Itamaraty porque considera inadequados os termos utilizados contra o Congresso e o governo brasileiro.

Antes de Renan, outros senadores também repudiaram Chávez. O primeiro foi o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa, Heráclito Fortes (DEM-PI), que, em plenário, considerou um “desrespeito” a afirmação do venezuelano.

“Tenho pena do pacato e bom povo da Venezuela. Se toda essa pirotecnia do sr. Hugo Chávez fosse em benefício das melhorias sociais daquele povo, da diminuição dos desequilíbrios sociais daquela gente até que se justificaria, mas é uma pirotecnia que beira o rumo da paranóia”, disse Fortes.

“O sr. Hugo Chávez, depois de interferir no Judiciário venezuelano, de garrotear o parlamento venezuelano e de alterar a Constituição, possibilitando reeleições infinitamente, quer agora atingir e agredir os países vizinhos”, ressaltou. “Faço este registro lamentando o desrespeito desse aprendiz de ditador”, disse Heráclito.